Açores querem articulação com Ordem para definir estratégia de fixação de médicos
DATA
21/02/2017 10:33:51
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Jornal Médico
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Açores querem articulação com Ordem para definir estratégia de fixação de médicos

O secretário regional da Saúde dos Açores, Rui Luís, defendeu ontem uma “articulação estreita” com a Ordem dos Médicos para definir uma estratégia atrativa para a fixação de médicos no arquipélago.

“Há a necessidade de definir estratégias atrativas para a fixação de médicos na região, suprindo as carências existentes. Será crucial uma articulação estreita com a Ordem dos Médicos para a definição desta estratégia, que passa também pela atribuição das idoneidades formativas, pelo reconhecimento das especificidades regionais, pela abertura de vagas de internato médico”, afirmou Rui Luís.

As declarações surgiram durante a tomada de posse da direção do Conselho Médico dos Açores da Ordem dos Médicos, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.

Na ocasião, o governante considerou que “as questões financeiras são sempre importantes nos sistemas de saúde, mas também há que melhorar os níveis organizativos”, preconizando que a “burocracia não pode bloquear os sistemas” e “a eficiência dos processos deve prevalecer”.

“Um olhar criterioso sobre os recursos disponíveis e sobre a alocação dos mesmos através da melhoria da sua monitorização e rentabilização permitirá reduzir desperdícios e uma afetação de acordo com as necessidades identificadas”, declarou Rui Luís.

Antes, garantiu que “a emergente situação das deslocações de doentes e de médicos especialistas é uma matéria para a qual a Secretaria Regional da Saúde está empenhada em criar estratégias e mecanismos”.

A “dificuldade acrescida em fixar médicos” foi um dos problemas que a presidente do Conselho Médico da Região Autónoma dos Açores, Isabel Cássio, identificou na política de saúde regional, referindo, ainda, o “défice de recursos humanos”.

Isabel Cássio destacou, também, a “acessibilidade difícil a consultas de especialidade e a meios complementares de diagnóstico e tratamento, agravada nas ilhas sem hospital e pela suspensão do programa de deslocação de especialistas a essas ilhas”, e as “gigantescas listas de espera para cirurgia”.

“A Ordem não quer substituir o Governo Regional nas definições das políticas de saúde, mas quer fazer parte integrante dessa definição”, declarou, notando que “os políticos mudam, os médicos ficam” e que nos 22 anos de trabalho no Serviço Regional de Saúde conheceu seis secretários e ainda é diretora de serviço.

Já o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, defendeu a necessidade de o país “fazer alguma coisa” para conseguir ficar com os jovens médicos, notando que é “um investimento enorme” que Portugal e as famílias fazem na formação destes.

“O Governo português não está a ser capaz de criar condições de trabalho concorrenciais para que os jovens médicos fiquem em Portugal, por um lado, e, depois, optem por ficar no Serviço Nacional de Saúde (SNS) em detrimento do setor privado”, realçou Miguel Guimarães.

O bastonário acrescentou ser necessário, igualmente, “corrigir as deficiências e insuficiências” do SNS, acreditando que, dessa forma, haverá “mais capacidade para tratar doentes e mais capacidade para formar novos médicos em termos de especialidade”.

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