Envelhecimento populacional e doenças crónicas aumentam procura e despesa em Saúde
DATA
02/03/2017 15:42:31
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Jornal Médico
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Envelhecimento populacional e doenças crónicas aumentam procura e despesa em Saúde

As despesas globais com cuidados de saúde deverão atingir os 8,7 biliões de dólares até 2020, uma subida significativa face aos 7 biliões registados em 2015. 

Este crescimento deve-se ao envelhecimento da população e às doenças crónicas associadas, aos inovadores avanços clínicos, à evolução tecnológica e ao aumento dos custos laborais, sugere o estudo Global Health Care Outlook 2017: Making progress against persistent challenges, da consultora Deloitte.

“Os atuais desafios da procura e do custo dos serviços de saúde deverão manter-se a curto e médio prazo. Para atingir significativas melhorias clínicas e operacionais, as empresas do setor devem responder a estes desafios”, sustenta o partner e líder da área de Life Sciences and Health Care da Deloitte, Duarte Galhardas. “Encontrar um caminho adequado para todos os stakeholders vai ser difícil, mas algo necessário para assegurar a prestação de serviços de saúde de elevada qualidade, garantir um acesso igualitário e resultados positivos a custo acessível para os pacientes”, acrescenta o consultor.

De acordo com a análise, a que o nosso jornal teve acesso, as entidades estabelecidas no mercado, as novas empresas e os governos estão a desenvolver novas soluções e abordagens para melhorar o acesso e a qualidade dos cuidados de saúde, bem como para controlar os custos. Porém, a inexistência de métricas consistentes dificulta a leitura dos atuais resultados. Ainda assim, e segundo o estudo da Deloitte, as entidades ou empresas que se focarem em cinco áreas prioritárias – custo, prestação de cuidados de saúde, inovação, operações e regulação do mercado – em 2017 estarão preparadas para enfrentar os desafios futuros.

Trabalhar cinco áreas prioritárias para responder aos desafios

No que concerne ao custo, a consultora prevê um aumento da despesa com cuidados de saúde de 2,4% para 7,5%, entre 2015 e 2020, nas maiores regiões do mundo. “Os prestadores de serviços de saúde que enfrentam o desafio deverão encontrar soluções mais eficientes, do ponto de vista do custo e operacional, deverão focar-se nas iniciativas mais transformadoras para inverter a curva da despesa”, sugere a análise.

A falta de acesso a serviços básicos de saúde e as variações da qualidade dos cuidados são problemas que persistem em muitas regiões do mundo no que diz respeito à prestação, identifica este estudo. “Os desafios atuais do setor da saúde são complexos e estão relacionados entre si, pelo que os modelos de prestação de cuidados de saúde que seguem uma abordagem multifacetada e colaborativa estão mais aptos a obter resultados positivos”, aponta a Deloitte.

No plano da inovação, a análise destaca o facto de a cirurgia robotizada, a impressão 3D, os dispositivos implantáveis e outras inovações tecnológicas focadas na prevenção, na monitorização e no tratamento estarem a revelar potencial para melhorar os resultados e reduzir custos. Assim, sugerem os consultores, “os líderes do mercado da saúde deverão considerar a construção de ecossistemas que envolvem entidades não convencionais e fontes de conhecimento fora da sua rede de relações”.

No que diz respeito às operações, a análise sublinha que “os sistemas de saúde públicos e privados vão, eventualmente, precisar de implementar novos modelos clínicos e de negócio para disponibilizar cuidados de saúde escaláveis, eficientes e de elevada qualidade, mas também para reduzir o desperdício, as redundâncias e os custos que ameaçam a sustentabilidade do sistema”. Tal como acontece nas empresas comerciais, as entidades que prestam cuidados de saúde “devem investir em ferramentas e processos que lhes permitam compreender o seu mercado alvo e os clientes, e deste modo envolverem-se mais diretamente com os consumidores dos serviços de saúde, atualmente mais ativos e informados”, recomenda a Deloitte.

Em termos de regulação de mercado, a consultora recorda que “a saúde é uma das indústrias mais reguladas do mundo, com leis e políticas que verificam a qualidade e segurança clínica, a cibersegurança, a contrafação de medicamentos e a corrupção”. Assim, “adotar uma abordagem uniforme e consistente com as regras de planeamento, execução e monitorização faz sentido do ponto de vista clínico e de negócio no contexto atual do mercado”, aconselha.

Para além de definir as considerações dos stakeholders, o estudo da Deloitte destaca o estado atual do setor da saúde e explora as tendências e questões que impactam as organizações do setor.

“Sem exceções, todos os sistemas de saúde no mundo devem continuar a procurar e a implementar estratégias que permitam melhorar os resultados e manter a linha da despesa inalterável”, destaca Duarte Galhardas, concluindo que “embora não haja o sistema de saúde perfeito, existem exemplos de bons desempenhos em muitos países, que podem servir de referência para os agentes do setor”.

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Editorial | Jornal Médico
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