Presidente do Conselho de Administração do Hospital de Gaia/Espinho deixa cargo
DATA
07/03/2017 09:39:37
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Jornal Médico
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Presidente do Conselho de Administração do Hospital de Gaia/Espinho deixa cargo

O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Gaia/Espinho (CHVNG/E) informou ontem os colaboradores daquela entidade, através de uma carta a que a Agência Lusa teve acesso, que não vai ser reconduzido no cargo e que desconhece quando será nomeado um substituto.

"Fui informado pelo senhor presidente da ARS-Norte [Administração Regional de Saúde do Norte] que não iria ser reconduzido no cargo de presidente do Conselho de Administração do CHVNG/E", refere Silvério Cordeiro no documento.

Segundo o responsável, "ainda não há despacho ministerial nomeando o Conselho de Administração para o período que se inicia no corrente ano [e] prevê-se que isso venha a ter lugar a muito curto prazo".

Na semana passada, e num esclarecimento dirigido à Agência Lusa, a ARS Norte apontou que "tendo presente que a comissão de serviço do CHVNG/E terminou no final do ano passado" está-se a aguardar decisão sobre a constituição do novo Conselho de Administração", mas não adiantou prazos nem confirmou se haverá ou não substituições.

"O CHVNG/E continua a ser gerido por um Conselho de Administração que assume toda a responsabilidade pelos seus atos até à sua substituição, acaso assim se venha a verificar", lê-se na resposta da ARS Norte.

Já o presidente da Câmara Municipal de Espinho, Pinto Moreira, lamenta que um "hospital com reconhecida qualidade de gestão e serviços clínicos de excelência esteja a ser instrumentalizado politicamente".

"Atendendo aos rumores de que o Governo pretende alterar o Conselho de Administração e, em particular, não reconduzir o seu presidente, quero acreditar que estes rumores são infundados e que esta demora não faz parte de uma estratégia político-partidária", refere o autarca.

Pinto Moreira considera que se tal vier a confirmar-se será "um absurdo" por em causa estar "um gestor profissional e politicamente independente, com provas dadas e resultados, tendo empreendido uma estratégica de reabilitação do centro hospitalar que devolveu a autoestima a um hospital maltratado".

O presidente da câmara de Espinho aproveitou para mostrar "grande regozijo" face ao lançamento da obra da nova urgência do CHVNG/E, considerando-a de "extrema importância para a população a Sul do Douro e, em particular, para a população de Espinho".

Contactado pela Agência Lusa, o presidente do município de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, disse não ter dados sobre qualquer alteração ao conselho de administração do CHVNG/E, escusando-se a comentar uma possível substituição de Silvério Cordeiro com o qual, frisou o autarca gaiense, tem "tido sempre uma excelente relação".

"Vamos aguardar. Não cabe à câmara nomear ou decidir. Quanto à obra, o ministro disse que nada a beliscaria e isso é muito importante porque é um projeto fundamental para a população", disse Vítor Rodrigues.

Em causa está o lançamento de concurso para a segunda fase de obras nesta unidade hospitalar, cuja empreitada inclui um novo Serviço de Urgência. A 2 de março foi publicado em Diário da República um anúncio de concurso no valor de 13 milhões de euros, para a construção de novo edifício hospitalar a integrar no plano de reabilitação do CHVNG/E.

Na carta entregue aos colaboradores daquele Centro Hospitalar, Silvério Cordeiro considera que "não obstante as fortes restrições e constrangimentos" o saldo "é largamente positivo".

"Foram lançados os alicerces para a melhoria das infraestruturas do hospital, que agora se afigura irreversível, e o CHVNG/E vem tendo resultados invejáveis, quanto à performance dos seus serviços, com reconhecimento das Instâncias competentes", lê-se na comunicação.

A primeira de três fases desta obra -teve um custo de 13 milhões de euros, sete milhões dos quais financiados por fundos comunitários e foi inaugurada em maio do ano passado.

A Agência Lusa tentou contactar o presidente do Conselho de Administração Silvério Cordeiro, mas tal não foi possível até ao momento.

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Editorial | Jornal Médico
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