Portugueses têm perceção errada dos valores das taxas moderadoras
DATA
07/03/2017 09:43:34
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Jornal Médico
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Portugueses têm perceção errada dos valores das taxas moderadoras

Uma investigação da Nova Information Management School (Nova IMS), da Universidade Nova de Lisboa revelou que os portugueses têm uma perceção errada dos custos das taxas moderadoras na saúde e estimam valores acima dos reais, mas consideram que, apesar de tudo, são adequados.

O trabalho indica que mais de um em cada três (38,1%) portugueses considera adequadas as taxas moderadoras praticadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS). De acordo com o estudo, mais de metade dos inquiridos (50,1%) considera adequados ou muito adequados os valores pagos pelos medicamentos que lhes foram prescritos nos últimos 12 meses, pouco mais do que aqueles que consideram adequada a comparticipação do Estado para a medicação prescrita (49,1%)

Mas a perceção que os portugueses têm da realidade dos valores das taxas moderadoras é na maior parte dos casos errada.

O estudo indica que há uma diferença entre o que os portugueses julgam que custa (11,92 euros) e o que realmente custa (7 euros) a taxa moderadora para uma consulta externa/especialidade num hospital público.

Nos episódios de urgência, o valor que os portugueses julgam (16,88 euros) que custa a taxa moderadora também é maior do que o real no caso da urgência básica (14,00 euros) e polivalente (16,00 euros). O valor estimado apenas é inferior ao custo real no caso das urgências médico-cirúrgicas (18,00 euros).

"No caso das urgências a perceção está mais alinhada com a realidade, assim como nos cuidados primários. Onde se verifica maior diferença é nas taxas nas consultas externas dos hospitais", explicou Pedro Simões Coelho, investigador da Nova IMS.

Quanto aos efeitos dos custos reais dos cuidados de saúde no bolso dos portugueses, o estudo diz que 10,7% deixaram de ir às urgências por falta de dinheiro, que 3,9% não fizeram exames de diagnóstico, que 3,4% perderam uma consulta externa/especialidade num hospital público e que 2,4% não foram a uma consulta com o médico de clínica geral ou médico de família num centro de saúde.

Quanto aos que deixaram de comprar medicamentos prescritos pelo médico por causa do seu custo, o estudo indica que estes números têm vindo a cair desde 2014, mas ainda assim foram 11,8% os que o confessaram tal realidade (contra 14,2% em 2015).

Contudo, Pedro Simões Coelho sublinha que estes valores estão "em queda muito acentuada".

"Este potencial de cuidados de saúde perdidos está em queda muito acentuada. Estimamos que cerca de 11% dos episódios urgência não se realizaram por esta razão [falta de dinheiro], mas eram quase 14,5%. Nas consultas externas são 3%, mas eram 8% (...) Ainda é elevado, estimamos por exemplo que 12% não compraram medicamentos por causa do preço, mas em 2014 eram 16%. A tendência é para uma evolução positiva", considerou.

“Esta evolução positiva resulta de várias coisas em simultâneo: da redução efetiva nas taxas moderadoras, de um alargamento de segmentos de população isenta de taxas moderadora e a verdade é que, para certos segmentos da população utilizadores do SNS, observámos um aumento de rendimento disponível", afirmou o investigador.

Com um universo de cidadãos acima dos oito milhões (pessoas com 18 ou mais anos), o estudo abrangeu a realização de 500 entrevistas, em fevereiro, cujos resultados foram “extrapolados para o universo segundo uma pós-estratificação que tem por base as variáveis género e classe etária”.

O trabalho vai ser hoje apresentado durante a sexta edição Conferência AbbVie, subordinada ao tema “Sustentabilidade na Saúde 4.0 – Investimento em saúde e impacto na vida laboral”, que visa dar continuidade à discussão em torno da sustentabilidade da saúde em Portugal.

Com presença confirmada do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, na sessão de abertura, o evento conta com a presença de inúmeras personalidades de relevo no panorama político, social e laboral português que vão apresentar e discutir a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde.

No primeiro painel o destaque vai para a apresentação dos dados resultantes do primeiro indicador de sustentabilidade, a cargo de Pedro Simões Coelho, investigador da Nova IMS. Haverá ainda espaço para debate, marcado pela presença de Maria de Belém Roseira, ex-ministra da Saúde, e Isabel Galriça Neto, deputada parlamentar do CDS-PP.

“Sendo a saúde um sector onde os recursos disponíveis são cada vez mais escassos, importa ter uma ferramenta que nos possibilite perceber onde é que esses recursos devem ser aplicados”, refere Pedro Simões Coelho, diretor da Nova IMS e principal coordenador do Projeto Sustentabilidade na Saúde 4.0.

No segundo painel, “A inclusão dos doentes crónicos no mercado de trabalho”, serão apresentados os dados do estudo “Doenças Reumáticas: Produtividade, Empregabilidade e Saúde Social”, cujas conclusões podem ser alvo de uma mudança ao nível da legislação laboral. Este painel conta com a participação do reumatologista e coordenador da plataforma Portugal Apto.PT, Augusto Faustino, com o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, com o secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita, e com Sofia Crisóstomo, da plataforma Maior Participação, Melhor Saúde.

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Editorial | Jornal Médico
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Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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