Escola Nacional de Saúde Pública debate eliminação da hepatite C em Portugal
DATA
14/03/2017 11:32:30
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Jornal Médico
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Escola Nacional de Saúde Pública debate eliminação da hepatite C em Portugal

Realizou-se hoje, no pequeno auditório da Reitoria da Universidade de Lisboa, a Conferência “Hepatite C, Pensar o Futuro”, uma iniciativa onde foram apresentadas as conclusões do estudo “Desenho do futuro: Portugal sem VHC”, da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP/UNL).

Este trabalho de investigação, desenvolvido no final de 2015, em colaboração com um grupo de peritos nacionais, apresenta uma proposta orientadora para a eliminação da infeção pelo vírus da hepatite C em Portugal.

Como principais recomendações estão o desenvolvimento de um plano nacional estratégico, a promoção de uma gestão clínica dinâmica que acompanhe a inovação, a colocação do doente no centro do sistema de saúde, a abordagem da hepatite C como um problema de saúde pública e a planificação de uma ação concertada de prevenção e diagnóstico da doença.

“A eliminação da hepatite viral como ameaça à saúde pública até 2030 é uma recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS)”, destaca Rute Simões Ribeiro, investigadora da ENSP/UNL. “Tendo como visão, a médio e longo prazo, a erradicação do vírus da hepatite C em Portugal, importa definir uma estratégia nacional que contemple e articule as diferentes dimensões da doença: gestão clínica, financiamento, organização e sistemas de informação centrados no doente”, adianta a investigadora.

“O estudo procurou avançar com recomendações e propostas que contribuam para o desenho de um plano para o diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos doentes infetados, com ações concretas, que resultem de uma abordagem integradora dos diferentes setores do sistema com implicações na gestão da hepatite C”, conclui.

Plano nacional estratégico e doente no centro do sistema de saúde

Tendo como principal prioridade a criação de um plano nacional estratégico, o estudo apresentado recomenda que a hepatite C seja reafirmada na agenda política e que seja criada uma dotação orçamental orientada para a sua gestão. Além disso, define como crítica a realização de ações concretas de educação para o cidadão, em particular nos grupos de risco.

Outra das recomendações refere a necessidade de uma gestão clínica dinâmica, ou seja, a agilização da revisão periódica das normas de orientação clínica, tendo em atenção as populações específicas, os diferentes genótipos e o respetivo acompanhamento. Neste âmbito, a análise considera igualmente fundamental a criação de orientações clínicas em permanente atualização nos cuidados de saúde primários, focados na prevenção, rastreio, diagnóstico e tratamento. O estudo valida ainda o recentemente criado fundo de financiamento para a inovação e recomenda um sistema de informação centralizado.

O estudo da ENSP/UNL recomenda que o doente seja efetivamente colocado no centro do sistema, tratado de forma individualizada e integrada, com acompanhamento contínuo. Os investigadores alertam para a necessidade da criação de projetos específicos para as populações de risco que possibilitem não só o diagnóstico, mas também o tratamento das pessoas infetadas. É também dado o alerta de que no futuro é essencial o aperfeiçoamento dos sistemas de vigilância epidemiológica e monitorização da hepatite C.

De acordo com as recomendações apresentadas, a hepatite C deve ser abordada como um problema de saúde pública porque só assim será possível contribuir ativamente para o objetivo de eliminar a infeção pelo vírus da hepatite C a nível global. Para concretizar este objetivo o estudo recomenda a formação e intervenção específica dos especialistas em Medicina Geral e Familiar, nomeadamente através da inserção desta temática da gestão da hepatite C nos conteúdos curriculares.

Ação concertada de prevenção e diagnóstico

No sentido de criar um programa nacional de prevenção e diagnóstico na área da hepatite C, o estudo salienta a importância de elaborar estratégias nacionais com a sociedade civil, bem como a otimização da Consulta a Tempo e Horas, como contributo para a política nacional para o controlo da doença. São ainda identificadas como medidas futuras a necessidade de realizar um rastreio populacional e a criação de sistemas de educação e de informação sobre a hepatite C para a população.

O estudo foi apresentado por Rute Simões Ribeiro, investigadora da ENSP/UNL, e discutido por um painel de especialistas composto por Henrique Luz Rodrigues, presidente do INFARMED, Isabel Aldir, diretora do Programa Nacional para as Hepatites Víricas, e Rui Tato Marinho, hepatologista no Hospital de Santa Maria. Na conferência que ficou marcada pela reflexão em torno do futuro da prevenção, diagnóstico e tratamento da hepatite C que levam à eliminação da infeção pelo vírus da hepatite C a nível global, estiveram presentes numerosos especialistas, nacionais e internacionais.

Foi também apresentado o projeto internacional “Path to Zero”, liderado pelo jornal The Economist, que reconheceu personalidades de todo o mundo pelo seu importante papel enquanto influenciadores nas várias dimensões afetas à hepatite C. Martin Koehring, editor sénior e líder editorial global para a Saúde do The Economist Intelligence Unit, marcou presença na Conferência “Hepatite C, Pensar o Futuro”, para apresentar o projeto no qual Portugal mereceu destaque através do reconhecimento de duas personalidades nacionais, numa listagem de 18 influenciadores a nível global no âmbito da hepatite C: o deputado Ricardo Baptista Leite, que integra também o painel final de grandes influenciadores, constituído por apenas seis Honourees deste projeto, e Luís Mendão, Presidente do Grupo Ativistas em Tratamentos (GAT).

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