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Condições em que muito migrantes vivem podem levar a transmissão de doenças
DATA
17/04/2017 10:48:11
AUTOR
Jornal Médico
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Condições em que muito migrantes vivem podem levar a transmissão de doenças

A investigadora do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) Ana Requena Méndez adverte que as condições em que muito migrantes são forçados a estar podem estar relacionadas com a transmissão de doenças como a tuberculose.

Ana Requena Méndez foi uma das participantes no 4.º Congresso Nacional de Medicina Tropical e 1º Encontro Lusófono de Sida, Tuberculose e Doenças Oportunistas, promovido pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), que decorreu entre quarta e sexta-feira em Lisboa.

O IHMT adiantou que a mobilidade da população é o principal motor de muitos desafios globais de doenças, particularmente as infeciosas.

Sobre este tema, Ana Requena Méndez afirmou, numa comunicação divulgada pelo instituto, que os hábitos culturais não influenciam a disseminação de doenças, mas outros fatores, como as condições em que muitos migrantes são forçados a estar, podem estar relacionados com a transmissão de certas doenças como a tuberculose.

“Estão a ser tomadas medidas para proteger a saúde dos refugiados e dos migrantes”, diz a médica, sublinhando que é “a saúde deles” que “está em risco, não a saúde dos cidadãos da União Europeia”.

Para Ana Requena Méndez, as melhores práticas em matéria de prestação de cuidados aos migrantes vulneráveis e aos refugiados, devem ser uma prioridade para os decisores políticos.

Defende ainda que a promoção da saúde, o rastreio e a gestão de doenças crónicas em migrantes vulneráveis e refugiados, devem ser facilitadas através de serviços integrados nos serviços primários.

No caso das crianças migrantes, o IHMT refere que a principal importância das doenças infecciosas está relacionada com a grande mobilidade das pessoas por zonas endémicas de algumas patologias, e pela não-existência ou o não-cumprimento de um plano de vacinação abrangente por essas populações.

Na comunicação subordinada ao tema “Migrantes, doenças infeciosas e as crianças”, a presidente do Conselho do IHMT e pediatra, Ana Jorge, realça que “a variabilidade dos planos de vacinação dos países e as diferenças de acesso têm uma enorme importância.

“No entanto, Portugal tem um sistema em que o acesso aos cuidados de saúde está facilitado”, mas “nem sempre é do conhecimento de quem precisa”, sublinha Ana Jorge.

Para a pediatra, a informação aos profissionais de saúde é outro dos aspetos que tem de ser considerado para que o acesso seja garantido.

O facto de alguns migrantes serem oriundos de zonas de guerra e viverem com grandes dificuldades socioeconómicas influencia também esta realidade, sublinha Ana Jorge.

Para o presidente do congresso, Miguel Viveiros, “estas problemáticas e desafios atuais, que afetam hoje a saúde global, exigem um conhecimento aprofundado dos principais determinantes de saúde e fatores de risco para a saúde dos migrantes e seus impactos nos países de acolhimento, na busca de soluções efetivas baseadas na evidência”.

Crónicas de uma pandemia anunciada
Editorial | Jornal Médico
Crónicas de uma pandemia anunciada

Era 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial de Saúde declarou o estado de Pandemia por COVID-19 e a organização dos serviços saúde, como conhecíamos até então, mudou. Reorganizaram-se serviços, redefiniram-se prioridades, com um fim comum: combater o SARS-CoV-2 e evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde, que, sem pandemia, já vivia em constante sobrecarga.

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