Presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia quer debate sobre morte súbita
DATA
24/04/2017 09:56:11
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Jornal Médico
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Presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia quer debate sobre morte súbita

O presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), João Morais, cuja direção toma hoje posse, afirmou à Agência Lusa que pretende criar uma agenda própria e discutir os problemas da morte súbita e da insuficiência cardíaca.

João Morais, que também é diretor do serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar de Leiria (CHL), tem como objetivo para os dois próximos anos criar uma agenda própria, debater com a tutela alguns dos problemas que afetam os portuguesas e colocar no centro da discussão algumas doenças.

“A SPC tem de estar na rua e ter uma agenda para a saúde cardiovascular em Portugal. Vamos tentar identificar quais os grandes problemas da saúde cardiovascular dos portugueses e tentar debatê-los com a tutela”, referiu o especialista.

Na opinião do cardiologista há duas grandes prioridades: “Uma, que já foi identificada e que nestes últimos dois anos trabalhou-se muito, é a prevenção da morte súbita”. A outra é a insuficiência cardíaca.

O presidente da SPC admitiu ainda que a morte súbita é “muito mediática” quando sucede no desporto e em jovens, mas alertou que não sucede só com estas pessoas, revelando que “hoje a cardiologia tem ferramentas, não só para identificar os doentes em risco de morte súbita, como para prevenir essa mesma morte súbita”.

Aliás, este responsável considerou que “há um longo caminho a percorrer” e que “Portugal está a léguas de distância dos países mais desenvolvidos da Europa” nesta área.

Quanto à insuficiência cardíaca, disse que Portugal teve um “progresso notável, nos últimos 20 anos, no tratamento do enfarte do miocárdio”, o que levou à "redução da mortalidade”, mas “se os doentes não morrem de enfarte do miocárdio, vão viver mais anos, mas, parte deles vai ser com um coração deteriorado”.

João Morais acrescentou que, deste modo, aumenta o número de idosos que “vai ter problemas cardiovasculares”, nomeadamente a insuficiência cardíaca, ou seja, “o coração não consegue executar as tarefas que lhe são exigidas de uma forma perfeita”.

“Estamos a falar de centenas de milhares de doentes em Portugal. Metade dos serviços de medicina interna estão cheios de doentes idosos e metade sofre de insuficiência cardíaca. Quase um quarto dos doentes que vai às urgências em Portugal é por insuficiência cardíaca. É um assunto que tem sido tabu - o Plano Nacional de Saúde nem fala dela - e eu espero ser capaz de a poder trazer para a tal agenda”, frisou.

Reforçando que Portugal trata o enfarte miocárdio como qualquer “país do mundo desenvolvido”, o cardiologista considerou, contudo, que é preciso melhor organização.

“Muito do que tem sido feito é por iniciativa dos próprios médicos, sem alguém acima a coordenar. Eu faço no meu hospital o melhor que posso e o hospital a 50 quilómetros faz também o melhor que pode, mas não nos articulamos”, constatou, ao considerar que a cardiologia portuguesa poderia "melhorar" se houvesse organização.

“Depois, falta-nos identificar os grandes problemas e a capacidade de se juntar à volta de uma mesa os decisores e os especialistas na área para definir planos e planificação.” E aqui, João Morais quer chamar à discussão a tutela, mas também os profissionais.

Outra das suas prioridades é a parte interna da SPC. “Os grandes objetivos são melhorar a qualidade da educação médica, unir e modernizar a sociedade e dar-lhe toda a estrutura que precisa para o futuro. A cardiologia é hoje uma das maiores sociedades em Portugal, muito prestigiada na Europa e um dos desafios que se coloca é adaptá-la aos tempos modernos.”

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Editorial | António Luz Pereira, Direção da APMGF
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