Desigualdade de acesso a dispositivos médicos preocupa setor
DATA
22/05/2017 11:00:58
AUTOR
Jornal Médico
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Desigualdade de acesso a dispositivos médicos preocupa setor

A Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos (APORMED) defendeu a igualdade de acesso aos dispositivos de saúde em Portugal e revelou-se preocupada com o facto de a sua aquisição no setor público se realizar por critérios de baixo preço, colocando em risco a utilização de tecnologia de primeira linha, mais inovadora. Este foi um dos temas em destaque durante a cerimónia de tomada de posse da nova direção da associação, realizada na sexta-feira ao final da tarde, com a presença do secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, entre outras individualidades.

Foi a primeira vez que a APORMED realizou uma cerimónia para marcar a tomada de posse de um novo mandato, que este ano foi reforçada com a entrada de dois novos membros, passando de cinco a sete representantes do setor das tecnologias médicas, por forma a responderem melhor aos desafios internos e externos do mercado. Maria Antonieta Lucas, em representação da Alcon, mantém-se na presidência, sendo apoiada por Luís Melo da Silva Graça, da Johnson & Johnson, na vice-presidência. Ricardo Warner George Villar, da Pulmocor, assume o cargo de tesoureiro e os restantes membros ocupam a posição de vogais: Luís Lopes Pereira, da Medtronic, Filipe Paias da Baxter, Luís Filipe Ramos da B. Braun e António José Cabral, da Medicinália-Cormédica.

Os dispositivos médicos são bens necessários e essenciais à melhoria da qualidade de vida dos cidadãos portadores ou não de doença. Maria Antonieta Lucas frisa a apreensão da APORMED com “o abandono de Portugal por parte de algumas empresas de referência deste setor e o emagrecimento brutal das estruturas que nos últimos anos levaram ao despedimento de centenas de colaboradores”.  A presidente de direção da APORMED acrescenta que “grande parte das multinacionais se encontram atualmente Iberizadas ou Clusterizadas, com consequente passagem da gestão de topo e do middle management para o país vizinho ou para outros países, levando a que muitas empresas que ainda operam em Portugal deixem de ter escritórios próprios ou armazéns locais, passando a existir somente uma rede comercial”.

A realidade acima descrita pode implicar uma diminuição da qualidade e quantidade dos serviços e suporte técnico prestados por parte das empresas de dispositivos médicos aos órgãos de saúde como hospitais, profissionais de saúde e autoridades competentes, com prejuízo para a saúde pública e para os doentes. “Por todos estes motivos, a APORMED defende convictamente que o setor da saúde em Portugal deve ser suficientemente atrativo para reter as empresas, devendo passar a ser visto por parte dos decisores políticos também como fonte de receita e riqueza e não somente de despesa, como desenvolvimento da economia, da empregabilidade e da capacidade exportadora, que no caso dos dispositivos médicos atinge já 268 milhões de euros” remata Antonieta Lucas.

O setor dos dispositivos médicos nacional equivale a 1200 milhões de euros. A APORMED representa   44% do mercado do setor das tecnologias para a saúde, sendo 96% dessa parcela constituído por pequenas e médias empresas. As compras do Sistema Nacional de Saúde são maioritariamente (74%) realizadas a empresas associadas da APORMED, a maior instituição nacional que defende os interesses comuns das empresas que integram o setor de produção e distribuição dos dispositivos médicos.

Fundada em 1990 por 16 membros fundadores, a APORMED conta atualmente com 58 empresas associadas, que empregam cerca de 2700 trabalhadores, com um volume de negócios superior a 500 milhões de euros. O setor de atividade em qua atua é caracterizado por um investimento forte e regular na inovação, de forma a permitir o acesso dos doentes a terapias que garantem importantes ganhos em saúde.

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Editorial | Jornal Médico
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