CDS-PP apela a consenso sobre direitos das pessoas doentes em fim de vida
DATA
06/07/2017 10:41:10
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Jornal Médico
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CDS-PP apela a consenso sobre direitos das pessoas doentes em fim de vida

A deputada do CDS-PP Isabel Galriça Neto apelou ontem a um consenso sobre a iniciativa do partido pelos "direitos das pessoas doentes em fim de vida", defendendo que é “supra-ideológica” porque humaniza e dignifica os cuidados de saúde.

“É um assunto que é supra-ideológico, não é de esquerda nem de direita. Queria apelar à necessidade de um consenso, para, independentemente de outro tipo de opções que possam estar em discussão, possa ser aprovado", defendeu Isabel Galriça Neto, em declarações à Agência Lusa.

O CDS-PP agendou (com carácter obrigatório) para esta quinta-feira um debate para a discussão e votação de um projeto-de-lei pelos “direitos das pessoas doentes em fim de vida”, que já tinha sido anunciado pelo partido e defendido no discurso da sessão solene do 25 de Abril, no contexto da apresentação pelo BE, PAN e PEV de projetos pela descriminalização da morte assistida.

“Estes conteúdos da nossa iniciativa são consensuais para quem, por um lado, se preocupa com a saúde dos mais idosos, das pessoas com doença crónica, das pessoas em fim de vida, e contribui para trazer maior dignificação e humanização aos cuidados de saúde”, argumentou Isabel Galriça Neto.

Para a deputada centrista, médica especialista em Cuidados Paliativos, a aprovação da iniciativa “seria um serviço à sociedade civil no sentido de ajudar a dar voz a um grupo de pessoas que tantas vezes não tem voz, porque são doentes mais vulneráveis, mais fragilizados, que podem estar desprotegidos nos cuidados de saúde que podem receber”.

“Estas pessoas têm direito a bons cuidados de saúde, que são os Cuidados Paliativos, e que só chegam neste momento a 20% dos portugueses", disse, frisando que a proposta do CDS “respeita os valores constitucionais da inviolabilidade da vida humana, de um Estado baseado na dignidade dos seus cidadãos, que preza a sua autonomia dignidade”.

A proposta de lei do CDS consagra aos doentes “o direito a não sofrerem de forma mantida, disruptiva e desproporcionada”, prevendo que "a contenção física (com recurso a imobilização e restrição físicas)" se "reveste de caráter excecional, não prolongado, e depende de prescrição médica".

As pessoas com doença avançada e em fim de vida têm direito “a não ser alvo de distanásia, através de obstinação terapêutica e diagnóstica, designadamente, pela aplicação de medidas que prolonguem ou agravem de modo desproporcionado o seu sofrimento”, de acordo com a iniciativa.

A proposta prevê também que estas pessoas “têm direito a recusar, nos termos da lei, o suporte artificial das funções vitais e a recusar a prestação de tratamentos não proporcionais nem adequados ao seu estado clínico e tratamentos, de qualquer natureza, que não visem exclusivamente a redução do sofrimento e a manutenção do conforto do doente, ou que prolonguem ou agravem esse sofrimento”.

O projeto consagra que são direitos das pessoas em contexto de doença avançada e em fim de vida “realizar testamento vital e nomear procurador de cuidados de saúde”, e “ser o único titular do direito à informação clínica relativa à sua situação de doença e tomar as medidas necessárias e convenientes à preservação da sua confidencialidade, podendo decidir com quem partilhar essa informação”.

A "hiperventilação" dos Cuidados de Saúde Primários
Editorial | Joana Romeira Torres
A "hiperventilação" dos Cuidados de Saúde Primários
A Organização Mundial de Saúde alude que os Cuidados de Saúde Primários (CSP) são cruciais para a obtenção de promoção da saúde a nível global. Neste sentido, a Organização Mundial dos Médicos de Família (WONCA) tem estabelecido estratégias que têm permitido marcar posição dos mesmos na comunidade médica geral.

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