Risco de doença cardiovascular dispara após pneumonia ou sépsis
DATA
02/08/2017 15:05:22
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Jornal Médico
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Risco de doença cardiovascular dispara após pneumonia ou sépsis

O risco de vir a sofrer de uma doença cardiovascular (DCV) aumenta em seis vezes durante o primeiro ano após uma pneumonia ou uma sépsis em adultos.

 

A conclusão é de uma investigação publicada hoje no European Journal of Preventive Cardiology.

“As infeções severas nos adultos estão associadas a um aumento do risco de DCV”, afirmou o diretor do Departamento de Epidemiologia Clínica da Universidade de Örebro (Suécia) e um dos autores do estudo, Scott Montgomery. De acordo com os resultados da investigação, o aumento do risco permanece durante pelo menos cinco anos.

O estudo avaliou a relação entre o internamento por pneumonia ou sepsis e o aumento do risco de DCV nos anos seguintes à infeção e se haveria um período de risco particularmente aumentado. A investigação incluiu 236.739 homens nascidos entre 1952 e 1956, que foram examinados física e psicologicamente aos 18 anos tendo por base exigências militares. Os investigadores obtiveram ainda diagnósticos hospitalares de DCV e infeções através de um sistema que gravou a informação de pacientes admitidos no hospital desde 1964.

Os homens foram acompanhados desde a adolescência até à idade adulta e o acompanhamento terminou em 2010.

Foram analisadas as relações entre a primeira infeção com sépsis ou pneumonia que obrigou a internamento hospitalar com subsequente risco de DCV em períodos específicos pós-infeção (entre um ano e cinco anos após).

Durante o período de acompanhamento, um total de 46.754 homens (19,7%) teve um primeiro diagnóstico de DCV. Houve 9.987 admissões hospitalares por pneumonia ou sepsis entre os 8.534 homens que receberam estes diagnósticos.

Os investigadores descobriram que a infeção estava associada a um aumento de 6,33 vezes do risco de DCV durante o primeiro ano após a infeção. No segundo e terceiro ano após a infeção o risco permanecia aumentado em 2,47 e 2,12 vezes, respetivamente.

O risco de DCV reduzia com o tempo, mas permanecia elevado pelo melos durante cinco anos após a infeção.

Resultados idênticos foram alcançados tanto para a doença coronária como para o enfarte agudo do miocárdio (EAM) e a DCV fatal.

“Os nossos resultados indicam que o risco de DCV, incluindo a doença coronária e o EAM, aumentou depois da admissão por sépsis ou por pneumonia” afirmou a coordenadora do estudo e investigadora associada na Universidade de Örebro, Cecilia Bergh. “O risco permanecia especialmente elevado nos três anos após a infeção e era de cerca de duas vezes mais após cinco anos”, acrescentou.

Quando os investigadores examinaram a relação entre outros fatores de risco, como a pressão arterial elevada, excesso de peso, obesidade e fraco desenvolvimento físico, descobriram que a infeção estava relacionada com o mais alto risco de DCV nos três primeiros anos após a doença.

“Os convencionais fatores de risco continuam a ser importantes, mas a infeção poderá ser a fonte primária deste risco por um período limitado de tempo”, afirmou, por seu lado, Scott Montgomery.

Segundo a investigação, a maior parte dos doentes com sépsis ou pneumonia recuperam, mas muitos mantém os marcadores relativos a inflamações circulatórias em níveis elevados mesmo depois da fase aguda da infeção.

Segundo Montgomery, a descoberta “funciona como mais uma razão para a proteção contra infeções e sugere que há uma janela temporal pós-infeção com risco aumentado de DCV. Não estudámos quaisquer intervenções que se devem iniciar neste período, mas terapias preventivas, como as estatinas, poderão ser analisadas”.

 

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Editorial | António Luz Pereira
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