Jornal Médico Grande Público

Trabalhadores do call center do Hospital da Arrabida contra transferência
DATA
21/08/2017 12:03:00
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS

Trabalhadores do call center do Hospital da Arrabida contra transferência

Um grupo de trabalhadores do call center do Hospital da Arrábida, em Vila Nova de Gaia, voltou hoje a concentrar-se em protesto contra a transferência do local de trabalho para a Póvoa de Varzim.

Em declarações à Agência Lusa, o responsável do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte (STIHTRSN), Francisco Figueiredo, referiu que em causa está a "pressão feita sobre trabalhadores para que aceitem rescindir contrato ou passem para instalações na Póvoa de Varzim".

Esta situação motivou uma nova greve marcada para hoje [os trabalhadores realizam idêntico protesto a 17 de julho], que contou com a adesão de “oito dos 16” trabalhadores do call center do Hospital da Arrábida, do Grupo Luz Saúde. Os restantes, segundo explicou Francisco Figueiredo, aceitaram a transferência para a Póvoa de Varzim.

De acordo com o dirigente sindical, os oito trabalhadores já responderem à carta que receberam da empresa recusando a transferência.

“A empresa não alegou nenhum motivo de força maior ou imperativo para proceder à transferência do local de trabalho conforme obriga o contrato coletivo de trabalho (CCT) e a gestão do call center da Póvoa de Varzim vai ser assegurada por uma empresa que os trabalhadores desconhecem e com a qual nunca tiveram nenhum contrato”, refere o sindicato.

Francisco Figueiredo alega que “o novo local de trabalho dista mais de 40 quilómetros e que não há transportes públicos acessíveis e com horários adequados da estação do metro da Póvoa de Varzim para o Hospital da Luz Póvoa de Varzim”.

“Alguns trabalhadores para entrarem ao serviço às 08:00 na Póvoa vão ter de sair de casa às 05:30 e vão chegar a casa neste horário depois das 19:00 e, além disso, não podem suportar custos com transporte por serem muito avultados”, sublinhou.

O dirigente sindical alega ainda que “há prejuízos sérios e a transferência põe em causa o direito constitucional à conciliação da atividade profissional com a vida pessoal e familiar”.

“Não há nenhuma razão empresarial que justifique uma transferência de local de trabalho de uma mãe com um filho de meses que, para aceitar a transferência que lhe é imposta, seja obrigada a deixar de amamentar o filho, como acontecerá com uma trabalhadora e, muito menos, num grupo económico que distribuiu lucros ao acionista em 2016 de 17,4 milhões de euros”, frisou.

Em seu entender, "não é aceitável que obriguem a mudar ou que ameacem que os trabalhadores perdem os seus direitos caso não aceitem. É possível manter o call center em Gaia ou redistribuir os trabalhadores por outras funções".

O Grupo Luz Saúde, que gere o hospital da Arrábida, em Vila Nova Gaia, garantiu recentemente à Lusa que "foram asseguradas as condições de adaptação" aos trabalhadores do call center que estão a ser transferidos para a Póvoa de Varzim.

Em comunicado, o Grupo Luz Saúde explica que "os trabalhadores que atualmente operavam no contact center do hospital da Luz Arrábida foram, na sua quase totalidade, integrados neste novo serviço", referindo-se ao novo call center instalado na Póvoa de Varzim.

"A todos eles foram asseguradas as melhores condições de adaptação ao novo local de trabalho - como transporte dedicado e incentivos financeiros -, estando este processo a decorrer dentro da normalidade", refere o grupo.

Na mesma nota, os responsáveis da empresa apontam que o grupo decidiu investir na construção de um novo contact center para servir unidades no norte do país, nomeadamente os hospitais Arrábida (Vila Nova de Gaia), Póvoa de Varzim, Amarante e Cerveira.

O grupo estima que o novo serviço comece a operar plenamente a partir de setembro.

“Vai funcionar, para já, com cerca de meia centena de profissionais, dos quais 15% correspondem a novos postos de trabalho. A Luz Saúde prevê que, a médio prazo, esta operação venha a crescer significativamente, podendo a necessidade de novos colaboradores duplicar nos próximos anos", lê-se na nota.

Saúde Pública

news events box

Mais lidas