Só 2% dos doentes com indicação para reabilitação respiratória têm acesso a tratamento
DATA
23/11/2017 09:46:02
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Jornal Médico
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Só 2% dos doentes com indicação para reabilitação respiratória têm acesso a tratamento

As doenças respiratórias matam cada vez mais em Portugal, tendo ultrapassado as 22 mil mortes em 2015, mas são menos de 2% os doentes com indicação para reabilitação respiratória que têm acesso ao tratamento.

Os dados constam da 12º edição do Relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR), divulgado esta manhã em Lisboa, que indica que em 2015 morreram 22.767 pessoas, o que representa um aumento de 24% em relação a 2006.

O cenário traçado no relatório mostra um aumento de mortes mas também de internamentos (115.828 pessoas internadas em 2015) e mais episódios de doentes submetidos a ventilação mecânica (aumentaram 167% desde 2006).

Apesar desta realidade, o estudo sublinha que são menos de 2% os doentes com indicação para reabilitação respiratória que conseguem ser tratados nos poucos centros de reabilitação existentes em Portugal.

Os 25 centros de Reabilitação Respiratória em Portugal continental tratam menos de 3.000 pessoas com doenças respiratórias por ano, o que representa menos de 2% dos doentes com indicação para reabilitação respiratória, o que leva o relatório a falar em “inexistência de programas de reabilitação respiratória”.

Para o presidente do ONDR, José Alves, “estes dados demonstram que os pacientes e a comunidade médica ainda não estão sensibilizados para a importância da reabilitação respiratória e para os resultados muito significativos que dela se conseguem”.

Entre os fatores que mais preocupações deixam aos profissionais está o envelhecimento da população - Portugal encontra-se no restrito grupo de países do mundo com uma esperança média de vida de 80 ou mais anos – a existência de doentes com problemas de saúde associados, e o facto de muitas pessoas continuarem a não fazer a vacina da gripe.

O pneumologista que assumiu a presidência do observatório reconhece que “há muito a melhorar, a todos os níveis, na classe médica, nos profissionais ligados à saúde, nas metodologias definidas e a definir, na forma de as implantar, no relacionamento das instituições, na forma como se pensam a elas próprias, como se relacionam com a tutela e na forma como a tutela se relaciona com todos. Há muito a melhorar na uniformização e na equidade da prestação dos serviços, tratamentos e atos médicos na área da saúde respiratória”.

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