Um consórcio criado pelo Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO-Porto) e pelo Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da UPorto (i3S) candidatou-se para integrar o Cancer Core Europe, uma associação dedicada à investigação do cancro.
Segundo um comunicado divulgado, esta candidatura é um dos dados que serão anunciados na quinta-feira, no i3S, durante a apresentação do relatório de atividades do Porto.Comprehensive Cancer Centre (Porto.CCC), que resulta de uma parceria entre aquele instituto de saúde e o IPO-Porto.
Em declarações, o presidente do conselho de administração do IPO-Porto, Laranja Pontes, avançou que a decisão sobre a candidatura para integração do Porto.CCC na associação Cancer Core Europe será divulgada no segundo semestre de 2018.
De acordo com o responsável, esta integração poderá levar à atribuição de fundos para investigações na área do cancro e à partilha de ideias, metodologias e boas práticas com as seis instituições que já integram a associação.
“O Porto.CCC é um prestador de cuidados de saúde de grande volume, que tem integrado no tratamento a componente de investigação clínica, translacional e básica, num padrão muito elevado”, indicou Laranja Pontes.
No período de um ano, o consórcio produziu 380 trabalhos científicos, publicados em revistas internacionais de Oncologia, e participou em 120 ensaios clínicos (alguns na área da imuno-oncologia).
“Conseguimos ter cada vez mais a confiança das entidades que fazem investigação clínica, somos contactados para ensaios de fase muito inicial, que são os mais interessantes do ponto de vista científico e mesmo de prestação de serviços e acesso a medicamentos inovadores”, acrescentou o presidente do conselho de administração do IPO-Porto.
Segundo contou, a decisão de construir o Porto.CCC assumiu-se “como um passo estratégico num universo europeu, e mundial até, extremamente competitivo”.
O i3S e o IPO-Porto “não são competidores em nada, completamo-nos. Sozinhos não somos capazes de fazer tudo”, sublinhou, acrescentando que juntos são “mais fortes e muito mais competitivos” e representam “o que de melhor se faz em oncologia em Portugal”.
O diretor do Ipatimup e membro da comissão diretiva do i3S, Sobrinho Simões, referido na nota informativa, considera que o IPO-Porto “é muito bom” nos cancros da próstata, bexiga, rim e linfomas, enquanto o Ipatimup, e agora o i3S, é uma “referência mundial” nos cancros do estômago e da tiroide e outros órgãos endócrinos e neuroendocrinos.
Além disso, partilham “créditos nos cancros colorretal e de mama”, sendo, por isso, “uma parceria que faz todo o sentido”, acrescentou.
O consórcio foi convidado a integrar a Rede Europeia de Referência (RER) Genturis, que visa melhorar a assistência e os cuidados de saúde prestados aos doentes e às famílias com síndromes hereditários raros ligados ao cancro, através de investigação colaborativa entre parceiros nacionais e europeus.
A Genturis conta com a participação da investigadora do i3S, Carla Oliveira, da patologista do Centro Hospitalar São João, Fátima Carneiro, e do investigador do IPO-Porto, Manuel Teixeira.
O Porto.CCC pretende organizar uma conferência internacional - “1st Gago Conference” - dedicada à investigação do cancro na Europa, que contará com a presença do comissário europeu Carlos Moedas e de mais de uma dezena de especialistas mundiais na área do cancro, com data prevista para 14 de fevereiro de 2018.
Os últimos meses foram vividos por todos nós num contexto absolutamente anormal e inusitado.
Atravessamos tempos difíceis, onde a nossa resistência é colocada à prova em cada dia, realidade que é ainda mais vincada no caso dos médicos e restantes profissionais de saúde. Neste âmbito, os médicos de família merecem certamente uma palavra de especial apreço e reconhecimento, dado o papel absolutamente preponderante que têm vindo a desempenhar no combate à pandemia Covid-19: a esmagadora maioria dos doentes e casos suspeitos está connosco e é seguida por nós.