Angola a braços com epidemia da malária que já matou até agosto mais de 4.000 pessoas
DATA
29/12/2017 11:42:03
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Jornal Médico
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Angola a braços com epidemia da malária que já matou até agosto mais de 4.000 pessoas

 Angola registou até agosto deste ano mais de três milhões de casos e quatro mil óbitos devido à malária, uma situação que se agravou desde setembro e que as autoridades sanitárias angolanas consideram “alarmante”.

A situação epidemiológica da malária foi ontem dada a conhecer, em Luanda, pelo coordenador-adjunto do Programa Nacional de Controlo da Malária (PNCM), Rafael Dimbu, que informou que no último trimestre deste ano a malária – primeira causa de morte por doença em Angola – aumentou quer no número de casos quer em óbitos.

“Este ano, de uma forma muito particular está a ter dimensões um pouco alarmantes porque estão a ocorrer surtos um pouco por todo o país”, referiu.

Rafael Dimbu referiu que a malária é um problema de saúde pública em Angola, sendo a primeira causa de morte por doença, de internamento e de absentismo laboral e escolar.

Os dados estatísticos indicam que a província de Luanda continua a ser a mais afetada, o que se justifica pela quantidade de pessoas que habitam na capital angolana, que representam 20 por cento da população total.

Depois de Luanda, sofrem igualmente com a malária as províncias de Benguela, Bié, Cabinda, Cuanza Sul, Malanje e Uíge.

A malária causou 15.000 mortos em Angola, em 2016, de um total de 4,276 milhões de casos, epidemia considerada pelas autoridades angolanas “um drama para o país”.

Segundo o ministro da Saúde na altura, Luís Gomes Sambo, esta foi das piores epidemias de paludismo que Angola registou, salientando que em 2015, as estatísticas referem 3,3 milhões de casos e 7.000 óbitos.

Em 2017, e apesar do número de casos e de óbitos não ter reduzido muito, “houve descidas”, segundo o coordenador-adjunto do PNCM, ainda assim que não podem ser comparadas a 2014, ano em que Angola registou o menor número de casos e mortes por malária.

As crianças menores de cinco anos continuam a ser as mais atingidas pela malária e a chegada tardia ao hospital agrava a situação e contribui para o número de óbitos.

Para fazer face ao “quadro sombrio” que se vive nesta altura, Rafael Dimbu disse que o ministério da saúde angolano reativou o Conselho Nacional para as Emergências, que integra vários ministérios que estão ligados direta ou indiretamente ao controlo da malária.

Rafael Dimbu considerou importante o reforço da mobilização social, a melhoria do saneamento básico e a distribuição de mosquiteiros para se combater esta endemia.

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Editorial | Joana Romeira Torres
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