Médicos ameaçam com três dias de greve se Ministério da Saúde não der respostas
DATA
17/01/2018 10:36:14
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Jornal Médico
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Médicos ameaçam com três dias de greve se Ministério da Saúde não der respostas

Organizações representativas dos médicos decidiram ontem recorrer a uma greve de três dias caso o Ministério da Saúde não satisfaça o caderno reivindicativo destes profissionais até ao final de março.

A decisão foi transmitida aos jornalistas no final de uma reunião do Fórum Médico que decorreu na sede da Ordem dos Médicos, por dirigentes do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e da Federação Nacional dos Médicos (FNAM).

“O ministro da Saúde está a faltar a um compromisso que está a conduzir a uma degradação do Serviço Nacional de Saúde e dos cuidados primários e hospitalares”, disse o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha.

De acordo com o dirigente, a falta de respostas aos problemas apresentados pelas organizações representativas dos médicos, leva-os a “mostrar o cartão vermelho” ao Ministério da Saúde.

Além do SIM e da FNAM, integram o Fórum Médico a Ordem dos Médicos, a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, a Comissão Nacional do Médico Interno, entre outras organizações representativas destes profissionais.

As organizações acusam o ministro da Saúde de não ter retomado as negociações com os médicos desde a última greve, realizada em novembro, para resolver os problemas profissionais.

“Vamos dar dois meses ao ministro da Saúde para resolver os problemas, e caso a situação não mude, os médicos vão fazer três dias de greve no final do primeiro trimestre” deste ano, disse Roque da Cunha.

As organizações reclamam a abertura de concursos para especialistas, a redução de 18 para 12 horas semanais no serviço de urgência, a diminuição do número de utentes das listas por médicos de família de 1.900 para 1.550 e a diminuição das horas extraordinárias para 200 por ano.

No final da reunião, o bastonário Miguel Guimarães disse aos jornalistas que a entidade “estará sempre do lado dos médicos na aplicação das formas de luta que entenderem”.

“A greve é uma decisão plausível e aceitável”, comentou o bastonário, manifestando “bastante preocupação com os cuidados de saúde em Portugal”.

“Há desigualdades no acesso à saúde, e a qualidade dos cuidados de saúde está a decair”, disse o bastonário, acrescentando que irá apresentar um caderno de propostas ao Ministério da Saúde para combater esta situação.

Entre essas propostas estão a realização de uma auditoria aos hospitais públicos, a diminuição dos 4.000 médicos especialistas em falta e a melhoria dos equipamentos nas unidades de saúde.

Sobre o atraso na abertura de concursos para médicos especialistas, Miguel Guimarães considerou uma “vergonha nacional” e “inaceitável” que “cerca de 700 jovens especialistas formados estejam disponíveis e à espera” de colocação.

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Editorial | Nuno Jacinto
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