Gripe: pico já terá sido atingido, mas ainda há pressão nos serviços
DATA
19/01/2018 11:28:31
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Jornal Médico
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Gripe: pico já terá sido atingido, mas ainda há pressão nos serviços

O pico da epidemia de gripe já terá sido atingido e a atividade gripal tenderá a decrescer nas próximas semanas, disse a diretora-geral da Saúde, que admitiu, no entanto, que existe “pressão” na procura de cuidados de saúde.

“Na maior parte das regiões do país teremos já atingido o pico e estaremos na situação de diminuição da atividade gripal e essa é, apesar de tudo, uma boa notícia”, disse a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, em conferência de imprensa para fazer um balanço da atividade gripal no país, que ainda se encontra em fase epidémica, ainda que a tendência seja decrescente.

A diretora-geral da Saúde disse que “continua a haver pressão” nos internamentos, na procura de cuidados de saúde, quer urgências, quer cuidados de saúde primários, quer ainda o centro de contacto SNS 24, mas que também nestes indicadores a tendência é decrescente e que “tudo está a tender para uma situação mais normal”, destacando ainda a “boa capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde”.

Graça Freitas disse que este ano a atividade gripal “ficou aquém do que se verificou no ano passado, o que não é de estranhar dado as características do vírus predominante em circulação”, do tipo B, menos agressivo do que o de tipo A e que geralmente tem associada uma atividade gripal menos intensa.

Nas primeiras três semanas morreram mil pessoas, “o que é normal para a atividade gripal” registada, um número mais baixo do que os cinco mil registados no ano passado. “Também em impacto na mortalidade esta época não foi uma época de grande gravidade”, considerou Graça Freitas.

De acordo com os dados do último boletim de vigilância epidemiológica da gripe, na semana entre 8 e 14 de janeiro houve dez casos de internamento em cuidados intensivos reportados pelas unidades hospitalares, maioritariamente devido ao vírus da gripe de tipo A, mas a diretora-geral da Saúde diz que “há que desmistificar a gravidade da gripe A”, que agora é “uma gripe absolutamente normal”.

“Foi grave quando apareceu em 2009, mas agora é um vírus igual aos outros residentes que circulam na natureza”, disse Graça Freitas, explicando que quando surgem em circulação os vírus têm capacidade de gerar uma situação pandémica como a que se viveu em 2009, mas que rapidamente o corpo humano cria defesas e imunidade.

Graça Freitas referiu também que há vários outros vírus em circulação, que provocam “as habituais constipações” e doenças infeciosas respiratórias, os quais também têm levado muitas pessoas a procurar cuidados de saúde.

“Parece que a pior fase do inverno já terá passado. Vamos esperar, de qualquer maneira, pelas próximas semanas. O vírus da gripe é ‘traiçoeiro’ e pode ainda sofrer alguma alteração, as temperaturas podem ainda descer e pode haver algum fenómeno estranho. Se não houver fenómenos estranhos tenderemos para a normalidade”, concluiu a diretora-geral da Saúde.

Crónicas de uma pandemia anunciada
Editorial | Jornal Médico
Crónicas de uma pandemia anunciada

Era 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial de Saúde declarou o estado de Pandemia por COVID-19 e a organização dos serviços saúde, como conhecíamos até então, mudou. Reorganizaram-se serviços, redefiniram-se prioridades, com um fim comum: combater o SARS-CoV-2 e evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde, que, sem pandemia, já vivia em constante sobrecarga.

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