Médicos opõem-se a contratos de clínicos através de empresas para centros de saúde
DATA
31/01/2018 11:57:39
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Jornal Médico
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Médicos opõem-se a contratos de clínicos através de empresas para centros de saúde

Mais de 3.500 horas semanais de serviços médicos vão ser contratadas a empresas para diversos centros de saúde da região de Lisboa e Vale do Tejo, denunciou a Ordem dos Médicos (OM) e o Sindicato Independente dos Médicos (SIM).

“O Ministério da Saúde continua a insistir em contratar horas de médicos indiferenciados em vez de contratar médicos integrados numa carreira”, lamentou o presidente do Conselho Regional do Sul da OM, Alexandre Valentim Lourenço, em declarações à agência Lusa.

Para o responsável, é incompreensível que se contratem médicos não especialistas, sem a formação adequada, para fazer um trabalho de especialista em Medicina Geral e Familiar, sobretudo quando há vários médicos que terminaram a especialidade e que aguardam a abertura de concursos há vários meses.

Em causa, neste contrato preparado pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), está uma contratação de horas semanais que equivale a cerca de 100 clínicos, sendo que os contratos são anuais e prevendo que possam ser renovados por quatro anos, refere ainda Alexandre Valentim Lourenço.

Segundo um comunicado do SIM, a ARSLVT “prepara-se para contratar 3.553 horas semanais de serviços prestados por médicos indiferenciados que pretende fazer passar por especialistas em Medicina Geral e Gamiliar em 15 agrupamentos de centros de saúde”.

De acordo com o SIM, o preço por hora que estes médicos vão receber é superior ao que é pago aos médicos especialistas.

“Em vez da aposta na formação e na carreira médica, constata-se a delapidação de recursos financeiros em empresas de serviços médicos, com custos superiores e cuidados de saúde sem a diferenciação técnica e científica dos médicos da carreira médica”, contesta.

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Editorial | António Luz Pereira, Direção da APMGF
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