Taxa de sobrevivência ao cancro aumenta, mas riqueza determina quem sobrevive
DATA
31/01/2018 12:06:14
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Jornal Médico
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Taxa de sobrevivência ao cancro aumenta, mas riqueza determina quem sobrevive

A taxa de sobrevivência ao cancro está a aumentar no mundo, segundo um estudo publicado na revista The Lancet, em que se assinala que o nível de vida nos países influencia as hipóteses de sobreviver, sobretudo nas crianças.

No cancro do cérebro, a taxa de sobrevivência em países como a Dinamarca ou a Suécia atinge os 80%, enquanto no México e Brasil menos de 40% das crianças afetadas consegue sobreviver pelo menos cinco anos depois de diagnosticada a doença, o que reflete “a disponibilidade e a qualidade dos diagnósticos e dos tratamentos”.

Para Portugal, a taxa de sobrevivência no cancro do cólon situa-se perto dos 60%, enquanto que a taxa de sobrevivência para o cancro da mama e a leucemia é cerca de 90%, números em linha com o que se passa nos Estados Unidos da América (EUA) e em outros países europeus.

EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia são os países com maiores taxas de sobrevivência, refere-se no estudo Concord 3, em que foram analisados os registos de 37,5 milhões de pacientes diagnosticados com cancro entre 2000 e 2014 em 71 países.

Os investigadores estimam que o “custo global do tratamento do cancro em 2017 deve ser substancialmente superior a 300 mil milhões de dólares”, um valor crescente que “ameaça a viabilidade de sistemas de saúde e economias nacionais”.

Nos países onde não há cuidados universais de saúde, os doentes e as famílias sofrem “catástrofes financeiras” para conseguir tratamento.

Para ilustrar o fosso entre as condições de saúde das populações, destaca-se que a taxa de sobrevivência ao cancro da mama na Índia é de 66%.

As diferenças entre países refletem-se também nos números da leucemia infantil, em que países como a China, México e Equador estão abaixo dos 60%, evidenciando “grandes deficiências no diagnóstico e tratamento de uma doença que é geralmente considerada como curável”.

“O cancro mata mais de 100.000 crianças todos os anos, principalmente em países de rendimentos baixos ou médios, onde o acesso aos serviços de saúde é muitas vezes deficiente e o abandono dos tratamentos é um grande problema”, consideram os investigadores.

Num comentário ao estudo, o investigador do King’s College de Londres, Richard Sullivan, defendeu a importância de se conhecerem “números reais de pacientes reais”, uma vez que “demasiadas políticas e planeamento se baseiam em modelos, que podem não beneficiar ninguém e transmitir uma falsa sensação de que a comunidade científica e os decisores sabem o que se está a passar”.

Mas faltam apoios para se conhecerem os números reais, o que é sinal de “miopia política e prioridades distorcidas”, criticou.

A principal autora do estudo, Claudia Allemani, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, afirmou que dados “desadequados ou errados” impedem os governos de “compreender a verdadeira natureza e dimensão dos problemas de saúde pública” criados pelo cancro.

Para não andarem “às cegas”, os governos devem reconhecer que “os registos do cancro são instrumentos eficazes de saúde pública” que fornecem informação valiosa para definir as estratégias de combate à doença, defendeu.

A investigadora salientou que “na Europa, registar um caso é mais barato do que um raio X ao tórax”.

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Editorial | António Luz Pereira, Direção da APMGF
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