Problemas de sono têm relação direta com violência e criminalidade
DATA
20/02/2018 15:26:05
AUTOR
Jornal Médico
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Problemas de sono têm relação direta com violência e criminalidade

O Dia Europeu da Vítima de Crime é assinalado no próximo dia 22 e “os problemas de sono são algo que vítimas e criminosos podem ter em comum”, sendo, por isso, o “sono e violência” um dos temas em debate no Lisbon Sleep Summit.

O congresso internacional, que decorrerá de 16 a 19 de maio em Lisboa, terá como tema da sua primeira edição “O sono nas Mulheres”.

A neurologista responsável pelo Centro de Medicina do Sono (CENC) e uma das organizadoras do Lisbon Sleep Summit, Teresa Paiva, explica que a relação entre o sono e comportamentos violentos ou criminosos acontece de várias formas: “as vítimas de crime sofrem ou de stress agudo ou de stress pós-traumático com insónia complexa, pesadelos graves e depressão e fadiga. Outras sentem desrealização, negação, ou sentido de injustiça ou raiva, rancor ou vingança”.

“Já as vítimas passivas, como por exemplo os habitantes de uma zona onde houve um crime, têm problemas de sono na noite seguinte: adormecem mais tarde e têm disrupções na produção de cortisol. E quem assiste a atos violentos ou ações terroristas tende a ter insónia transitória e inclusão dos conteúdos violentos nos sonhos nos dias subsequentes”, acrescentou.

Relativamente aos comportamentos agressivos, a especialista considera que “a privação de sono se associa a uma maior prevalência”, tendo o fenómeno sido comprovado “num estudo nacional com adolescentes portugueses”.

Teresa Paiva refere ainda que “há doenças do sono com comportamentos violentos. O sonambulismo, os distúrbios comportamentais do sono REM (rapid eye movement) e algumas epilepsias noturnas podem ter comportamentos muito violentos não intencionais. E estes factos podem ser usados criminalmente para desculpabilizar criminosos reais”.

Além de “o sono e a violência”, o Lisbon Sleep Summit irá dedicar-se a temas como o sono e os desafios na vida das mulheres, o sono e a maternidade e as “coisas” estranhas que as mulheres fazem à noite.

Esta iniciativa é destinada a clínicos, cientistas, entidades públicas e privadas e à sociedade civil, apelando a que participem ativamente na discussão e na criação de soluções para as principais questões negativas associadas a esta temática. O objetivo é melhorar o conhecimento relacionado com o sono no género feminino, avaliar o impacto de fatores internos e externos no sono das mulheres em qualquer idade e discutir as diferenças entre géneros no âmbito da Medicina do Sono.

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