Graça Freitas: “O risco de não vacinar não é neutro!”
DATA
20/03/2018 11:44:50
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Jornal Médico
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Graça Freitas: “O risco de não vacinar não é neutro!”

No passado dia 7 de março, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, recebeu o Jornal Médico na Direção Geral da Saúde (DGS), em Lisboa, para uma conversa sobre vacinação. Tendências, mitos, capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS) face a eventuais surtos e alterações ao Programa Nacional de Vacinação (PNV), foram algumas das temáticas abordadas nesta entrevista.

Consciente de que um novo surto de sarampo poderia acontecer, a breve trecho, no nosso país, a responsável deixou um apelo a todos – mas sobretudo aos profissionais de saúde – para que se vacinassem o quanto antes contra a doença. Sete dias depois, a 14 de março, a DGS declarava oficialmente a existência de um surto de sarampo, detetado no Hospital de Santo António, no Porto. Inicialmente com sete casos confirmados – cinco dos quais em profissionais de saúde daquela instituição hospitalar –, este surto contabiliza já, à data de hoje, 145 casos suspeitos e 53 confirmados.

Em Portugal, refere Graça Freitas, “o movimento antivacinas não tem grande expressão. Não temos pais contra a vacinação, mas sim uma certa complacência face a esta forma de prevenção”. À semelhança do que acontece com outras medidas de prevenção, este comportamento prende-se com a forma como o risco é percecionado. “Uma vez que a maior parte das doenças para as quais o PNV oferece profilaxia não existem em Portugal, os pais ‘relaxam’ um pouco em relação a esta matéria, adiando muitas vezes a administração das vacinas ou não vacinando de todo”, diz a diretora-geral da Saúde.

Daí que seja essencial passar a mensagem de que “o risco de não vacinar não é neutro!”, sublinha a responsável. “Não vacinar não é um ato neutro! É como andar à chuva sem chapéu-de-chuva… Não é um ato neutro, porque a pessoa vai ficar molhada. É preciso não esquecer que as doenças podem chegar ao nosso país por importação e quem estiver desprotegido (não vacinado) pode ser contagiado, como no caso dos mais recentes surtos de sarampo em Portugal. Ou um indivíduo não vacinado que viaje para um país onde há a doença em circulação pode facilmente ser contagiado”, explica a especialista em Saúde Pública.

Assim sendo, Graça Freitas apela para que “a par das crianças e dos profissionais de saúde, os adultos nascidos após 1970 que nunca se vacinaram ou nunca tiveram sarampo, devem vacinar-se. Na dúvida se estão ou não vacinados, é fazerem a vacina, porque mesmo em caso de replicação de doses a vacinação é segura!”, garante.

Crónicas de uma pandemia anunciada
Editorial | Jornal Médico
Crónicas de uma pandemia anunciada

Era 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial de Saúde declarou o estado de Pandemia por COVID-19 e a organização dos serviços saúde, como conhecíamos até então, mudou. Reorganizaram-se serviços, redefiniram-se prioridades, com um fim comum: combater o SARS-CoV-2 e evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde, que, sem pandemia, já vivia em constante sobrecarga.

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