Expo98: Vinte anos depois continua sem centro de saúde
DATA
21/05/2018 11:03:44
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS



Expo98: Vinte anos depois continua sem centro de saúde

A freguesia do Parque das Nações, em Lisboa, tem falta de serviços básicos comos escolas e um centro de saúde.

A Expo98 foi o “pretexto” para a requalificação integral da zona oriental da cidade de Lisboa, tendo sido pensada ao pormenor. No entanto, vinte anos depois da Expo98, que abriu em 22 de maio de 1998, o Parque das Nações continua a debater-se com problemas antigos.

Carlos Ardisson da associação de moradores “A Cidade Imaginada – Parque das Nações” (ACIPN) lamentou a falta de um centro de saúde, o que obriga os moradores a terem de deslocar-se ao dos Olivais, que não assegura médico de família a todos.

O morador lamentou ainda que a freguesia tenha apenas “uma escola e meia”, referindo-se à Escola Básica do Parque das Nações, cuja primeira fase foi inaugurada há oito anos com a promessa de construção da segunda fase, algo que nunca aconteceu.

Outro dos problemas apontados pela ACIPN diz respeito à falta de manutenção dos espaços.

“Morreu quase tudo. Só algumas árvores ficaram. Tudo o que era arbustos e herbáceas morreu. Por falta de rega e falta de cuidados”, disse o morador, em declarações à agência Lusa, acrescentando que atualmente a situação está melhor, mas os espaços verdes voltaram a ter “falta de manutenção” e os “relvados dos parques Tejo e Trancão estão a ficar amarelos” novamente.

Para Ardisson, os problemas com a manutenção do espaço público começaram com o fim da sociedade Parque Expo, responsável pela gestão do espaço, e a passagem da gestão para a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e para a Junta de Freguesia.

O representante da ACIPN contou que “muito do conhecimento da manutenção e da gestão deste espaço está guardado e as pessoas que passaram a gerir não sabiam como as coisas funcionavam”, lamentando que as autarquias não tenham tido “o bom senso” de ficar com alguns funcionários da Parque Expo.

“Apesar de o então presidente da CML e agora primeiro-ministro, António Costa, ter garantido que não havia perda de qualidade com a passagem da gestão, não há comparação possível”, frisou.

O presidente da Junta de Freguesia do Parque das Nações, José Moreno, também admitiu que a transição da gestão do Parque Expo não foi feita nas melhores condições.

“Foi um desafio enorme que causou grandes constrangimentos ao nosso trabalho. Fez também com que algum vazio de poder, que acabou por existir, tivesse algum impacto ao nível da qualidade da manutenção do espaço público. Chamei a atenção da CML para a necessidade que tinha de olhar para este espaço. Porque dois terços da gestão do espaço são responsabilidade da CML e só um terço é que é da Junta de Freguesia”, disse.

José Moreno considera que ainda há muito para fazer no espaço público: “É um processo muito vasto, com equipamentos com unidades próprias muito específicas e que exigem também manutenções muito caras e muito atentas. É um trabalho que tem de ser feito diariamente quer pela Junta de Freguesia, quer pela CML”.

Já o engenheiro Luís Cachada, conhecedor daquela zona antes da Expo, mostrou-se muito orgulho com a obra e com a marca que deixou depois “da regeneração completa do território”.

O engenheiro admitiu que “pode faltar um equipamento ou outro”, como o centro de saúde, mas na sua opinião, “em termos de planeamento e do que foi construído, não há nada em que se possa dizer ‘isto foi um erro e podia ser feito de outra maneira’”.

“De uma forma geral, as coisas funcionaram conforme tinham sido planeadas e funcionaram bem”, frisou.

Crónicas de uma pandemia anunciada
Editorial | Jornal Médico
Crónicas de uma pandemia anunciada

Era 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial de Saúde declarou o estado de Pandemia por COVID-19 e a organização dos serviços saúde, como conhecíamos até então, mudou. Reorganizaram-se serviços, redefiniram-se prioridades, com um fim comum: combater o SARS-CoV-2 e evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde, que, sem pandemia, já vivia em constante sobrecarga.

Mais lidas