Internistas mostram-se preocupados com gestão hospitalar
DATA
06/06/2018 11:50:41
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Jornal Médico
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Internistas mostram-se preocupados com gestão hospitalar

O 24.º Congresso Nacional de Medicina Interna (MI) ficou marcado pela discussão de temáticas como o envolvimento do internista na gestão hospitalar, as inovações em saúde e a preocupação com a questão social.

Em comunicado enviado ao nosso jornal, a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) revelou que os internistas pretendem “colocar na agenda a questão do envelhecimento da população, os idosos, as comorbilidades e o que tudo isso acarreta. Esta tem sido uma grande preocupação da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e foi uma questão abordada no congresso, que conseguiu cumprir os seus objetivos: não ter margens da discussão.”

Segundo o presidente do encontro, Estevão de Pape, “este foi um evento de elevado nível científico” que abordou, entre os outros assuntos, as alternativas ao internamento convencional.

As limitações ao internamento são um problema da maioria dos sistemas de saúde públicos, devido ao aumento do número de doentes crónicos e com multimorbilidades. O Hospital Garcia da Orta foi o primeiro, em Portugal, a desenvolver um internamento domiciliário inserido no serviço de MI, com o objetivo de colmatar as dificuldades existentes.

“Se tivermos 100 camas neste sistema, temos um hospital inteiro em casa”, salientou Estevão de Pape, reforçando tratar-se de uma alternativa “que não é só para o doente agudo, mas também para o doente pós-cirurgia”, mas que apenas é concretizável “com uma ligação à Medicina Geral e Familiar”.

A Medicina de Precisão foi outro dos temas em destaque neste evento, pela voz de Francisco Araújo.

O co-coordenador do serviço de MI do Hospital Beatriz Ângelo realçou que a assinatura genética de cada indivíduo permite que se escolha a terapêutica mais eficaz para cada doente e se aliviem os efeitos secundários, mesmo na área cardiovascular ou da diabetes.

Segundo Francisco Araújo, a genética é um dos pilares deste conceito, permitindo a simplificação de técnicas de diagnóstico e tratamento. No entanto, o responsável mostrou-se preocupado com a questão de armazenamento de dados.

“Como é que isto vai ser feito? Quem vai pagá-lo? Tenho hoje mais dúvidas do que certezas… é muita informação e não sei o que podemos fazer a esta onda de dados”, ressalva.

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