Parkinson: Defeitos neuronais podem explicar perturbações de sono
DATA
08/06/2018 10:11:07
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Jornal Médico
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Parkinson: Defeitos neuronais podem explicar perturbações de sono

Um grupo de investigadores, incluindo o doutorado português Jorge Valadas, descobriu que as perturbações de sono nos doentes com Parkinson podem estar associadas ao funcionamento defeituoso de um tipo de células cerebrais.

A investigação coordenada pelo neurocientista belga Patrick Verstreken, da Universidade de Lovaina e do Instituto de Biotecnologia VIB, verificou que os doentes com uma forma hereditária desta patologia têm acumulação de neuropéptidos nos neurónios que segregam estas pequenas proteínas em condições normais.

A desregulação da atividade destas células cerebrais está associada às perturbações de sono, um dos sintomas não-motores da doença e uma das queixas mais comuns dos pacientes, revelou Jorge Valadas, primeiro autor do estudo, sublinhando que 80% dos doentes com Parkinson sofre de insónias.

Neste estudo, que se encontra publicado na revista da especialidade Neuron, os investigadores utilizaram como modelo a mosca-da-fruta com duas mutações genéticas ligadas à doença de Parkinson, por comparação com uma população de mosca-da-fruta saudável.

Os resultados foram posteriormente validados em neurónios humanos gerados a partir de células estaminais adultas de doentes com Parkinson com a mesma mutação nos dois genes que está associada à doença e a um dos sintomas: a "fragmentação do sono a meio da noite" e a alteração no ritmo circadiano, que regula o estado de vigília e sono.

A equipa de investigação constatou que as moscas-da-fruta modificadas geneticamente mexiam-se mais ao longo da noite, em comparação ao grupo de controlo que permanecia quieto durante oito horas.

Ao dissecarem os cérebros das moscas mutantes, os investigadores observaram a acumulação de neuropéptidos nos neurónios que expressam estas proteínas, concluindo que tal se deve à "deficiente produção" das vesículas que transportam os neuropéptidos do sítio onde são produzidos até à sinapse onde são libertados.

Os cientistas descobriram que um tipo de lípidos - fosfatidilserina - estava em concentrações baixas nas moscas-da-fruta que reproduziam a doença de Parkinson.

Posteriormente, ao darem aos insetos uma dieta alimentar rica em fosfatidilserina, conseguiram, ao fim de quatro dias, "reverter parcialmente" os sintomas de perda de sono e regularizar os níveis de lípidos.

Quanto às culturas de células neuronais humanas, o grupo de investigadores apenas conseguiu validar a acumulação de neuropéptidos, sem poder confirmar a desregulação no padrão de lípidos.

Segundo Jorge Valadas, os neurónios que expressam neuropéptidos podem ser uma “via alternativa para alvos terapêuticos na doença de Parkinson”, até porque, assinalou, os sintomas não-motores da patologia, como as perturbações de sono, “ocorreram 10 a 20 anos antes” dos sintomas motores, como tremores e lentidão de movimentos.

Num próximo passo, os investigadores vão procurar testar os resultados em outros “modelos genéticos” da doença, e, eventualmente, usar ratinhos, antes de avançarem para ensaios clínicos com doentes.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
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