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CINTESIS desenvolve sistema de proteção de dados clínicos
DATA
29/06/2018 10:37:48
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CINTESIS desenvolve sistema de proteção de dados clínicos

O Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de saúde (CINTESIS) anunciou, hoje, ter desenvolvido um sistema de proteção de dados clínicos, reduzindo o risco de a informação de saúde poder ser usado de forma fraudulenta.

Embora ainda em fase piloto, o sistema “DARE”, da autoria do investigador do CINTESIS e responsável pelo acesso à informação do Centro Hospitalar de São João (CHSJ), Rui Guimarães, já se encontra implementado no CHSJ.

Este sistema garante a proteção dos dados e reduz o risco da informação de saúde – os registos clínicos – poder ser usada de forma fraudulenta, quando reutilizada no âmbito da investigação científica.

Rui Guimarães explicou que a DARE atribui um selo de qualidade que “certifica, de forma expressa e inequívoca, o enquadramento jurídico que consente o acesso do investigador aos registos clínicos, tornando a investigação transparente, reprodutível e auditável”.

Trata-se de um certificado que é conferido aos investigadores que solicitam a reutilização de registos clínicos para fins de investigação científica e que atesta o enquadramento jurídico que consente a reutilização. Além disso, garante a idoneidade das fontes, bem como a sua identificação exaustiva e a indicação da entidade com a responsabilidade legal pela guarda das mesmas.

Ou seja, o investigador terá de “identificar todos os processos que consultou no âmbito da autorização que lhe foi concedida”, sustentou o especialista em Informática Médica.

“É este rasto que garante que a investigação científica realizada com base nos registos de saúde é reprodutível e transparente”, explica, considerando que esta garantia é do interesse dos titulares dos registos clínicos (ou seja, dos doentes), dos investigadores, das universidades, dos centros de investigação e das revistas científicas que publicam os estudos.

Em comunicado, o CINTESIS refere que a investigação clínica depende, cada vez mais, da reutilização dos dados clínicos que diariamente as entidades prestadoras de serviços de saúde recolhem. A utilização de grandes conjuntos de dados da saúde possibilita, por exemplo, uma melhor prevenção das epidemias, permitindo que as autoridades públicas utilizem melhor os dados de saúde para efeitos de investigação e de reforma dos sistemas de saúde.

O investigador afirma que “há um enorme potencial de investigação nestes dados e é natural que a sua reutilização cresça nos próximos anos”, defendendo, por isso, “a necessidade de se acautelarem eventuais más práticas” uma vez que “a fraude na investigação científica decorre da omissão das fontes, da manipulação da informação e da difícil reprodutibilidade dos estudos”.

Apesar da existência, em todo o espaço europeu, de um quadro legal, transposto pelos Estados Membros para os seus ordenamentos jurídicos, onde se consagra o direito que os investigadores têm de reutilizar registos clínicos para fins de I&D, “a verdade é que não se conhece qualquer menção expressa e inequívoca aos termos e enquadramento jurídico que consentiu o acesso aos registos clínicos reutilizados nas investigações”.

“Nem por parte dos investigadores, para quem são uma fonte de informação incontornável, nem por parte das instituições, que têm a responsabilidade da guarda de tão sensível património”, sublinha Rui Guimarães.

O investigador denuncia “esta completa e total omissão do enquadramento jurídico que tem vindo a sustentar a reutilização de registos clínicos para fins de investigação não garante a proteção dos direitos, privacidade, sigilo e confidencialidade das pessoas a quem os registos clínicos dizem respeito”.

Rui Guimarães espera que a médio prazo este sistema “venha a ser um pré-requisito imperativo das editoras das revistas científicas, como condição prévia para a garantia de uma maior qualidade e idoneidade da informação que suporta a investigação científica de natureza clínica”.

O seu objetivo é “alargar o âmbito da DARE, ao domínio da Ética, com as comissões de ética institucionais a certificarem, ao lado do Direito, que aquela investigação em concreto tem um parecer deontológico”, frisou.

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Editorial
Rui Nogueira
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