Violência sexual: Profissionais admitem dificuldades na intervenção
DATA
05/07/2018 14:58:50
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Jornal Médico
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Violência sexual: Profissionais admitem dificuldades na intervenção

Estudo sobre violência sexual nas relações de intimidade, apresentado hoje na Maia, revela que os profissionais de saúde, justiça e forças de segurança admitem que “precisam de instrumentos para intervenção” nesta matéria “complexa e de difícil abordagem”.

“Reconhecem que há aqui uma sub-identificação dos problemas e um desconhecimento ou algumas dificuldades de o sistema dar resposta adequada a estas situações e a estas vítimas”, afirmou a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, na apresentação do estudo.

Rosa Monteiro considera que este reconhecimento “é muito importante para uma boa intervenção” e para que “os serviços procurem ajustar a formação dos seus profissionais, integrando estas matérias de forma explícita, porque se existem têm de ser trabalhadas e têm de ser tratadas”.

Segundo a secretária de Estado, é fundamental “dar visibilidade para que se assuma, se reconheça e se intervenha sobre o problema”.

O diagnóstico, apresentado hoje, defende a associação das questões da violência sexual a assuntos da esfera privada, do foro íntimo, quase secreto, bem como o reconhecimento de que há limitações na capacidade de resposta e na resposta que é dada às vítimas de violência sexual, por parte do sistema.

A esta realidade “não são alheios estereótipos de género”, considerou a secretária de Estado, questionando: “Quantas vítimas de violência sexual numa relação de intimidade saberão que são de facto vítimas, que têm direitos e que podem pedir ajuda?”.

Rosa Monteiro referiu que esta investigação “dá um contributo fundamental à política pública nesta área, que agora vai alimentar as fases posteriores do projeto”

Essas fases “vão focalizar um trabalho mais estreito com os próprios serviços das principais áreas da administração pública e com os seus profissionais, no sentido de criar referenciais de atuação, fornecer informação e instrumentos que permitam garantir uma maior resposta às pessoas que são vítimas e que, relatando situações de violência doméstica, nem sempre são capazes de relatar uma situação cumulativa de violência sexual”, afirmou.

O objetivo da equipa que desenvolveu este projeto, que tem uma duração de 30 meses e que é coordenado pela investigadora Sofia Neves do Instituto Universitário da Maia, é dar continuidade ao mesmo.

“Vamos avançar para a produção de materiais informativos, de referenciais de intervenção e com um trabalho muito estreito de capacitação de profissionais em vários setores das cinco áreas decisivas da administração central”, afirmou Rosa Monteiro.

Esta investigação revela, ainda, que esta forma de violência íntima praticada sobretudo no contexto do casamento e do namoro é vista como um tema “complexo e de difícil abordagem”.

Um questionário realizado a 795 profissionais de cinco áreas distintas - saúde, justiça, segurança social, educação e forças de segurança - mostrou que metade dos inquiridos acredita que “a intervenção levada a cabo pelas instituições onde trabalham não é eficaz”. Por outro lado, 70% dos profissionais acreditam que “as mesmas não dispõem de recursos humanos adequados”.

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