Estudo defende cuidados integrados para asmáticos nos centros de saúde
DATA
19/07/2018 11:15:40
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Jornal Médico
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Estudo defende cuidados integrados para asmáticos nos centros de saúde

Um estudo desenvolvido pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) aponta para a necessidade de cuidados integrados para asmáticos nos centros de saúde, de forma a controlar as crises agudas.

De acordo com as conclusões do projeto, realizado pela Unidade de Investigação em Epidemiologia do ISPUP, através da aposta em cuidados integrados e centrados nos utentes com asma, é possível minimizar o impacto negativo desta patologia crónica.

“A asma afeta 6,8% da população residente em Portugal, segundo o Inquérito Nacional de Prevalência da Asma 2010”, referiu uma das investigadoras do estudo Liliana Abreu, acrescentando que “apenas 57% dos asmáticos tenham a sua doença controlada, o que significa que cerca de 300 mil portugueses necessitam de melhor intervenção para controlo da doença”, explicou, em declarações à agência Lusa.

A investigação coordenada pela investigadora Susana Silva, publicada na revista Journal of Integrative Care, visava explorar o modo como os doentes com asma “usam as suas redes de suporte, nomeadamente a família, os amigos, os profissionais de saúde e os media, para gerirem esta doença crónica”, explicou Liliana Abreu.

"Queríamos perceber qual o papel que estes vários mediadores em saúde desempenham enquanto facilitadores de gestão de uma doença crónica como a asma e qual o tipo de auxílio que prestam, tanto a nível emocional como funcional", indicou.

O estudo envolveu indivíduos com asma de um centro de saúde do Porto, sendo que aqueles que tinham esta doença desde infância demonstraram “mais dificuldade em controlar as crises agudas de asma”.

"Uma vez que um grupo significativo de pessoas vive com asma desde a infância, seria importante haver reavaliações anuais da sua condição de saúde", para se perceber "a frequência das crises agudas, os sintomas existentes, a rede de suporte que utilizam e a medicação que tomam", referiu a investigadora.

A equipa responsável pelo estudo recomenda que os cuidados de saúde primários tenham orientações específicas para indivíduos que vivam com uma doença crónica já há muitos anos.

"Poderia ser importante apostar em intervenções educativas junto das pessoas que revelam maior dificuldade em controlar as crises mais agudas de asma e fazer algumas intervenções personalizadas que ajudem a minimizar o impacto negativo da doença nas suas vidas", frisou Liliana Abreu.

Outra das sugestões passa pela criação de grupos de apoio, constituídos por indivíduos com a mesma condição crónica, onde seja possível discutir o problema e apresentar algumas soluções.

Segundo o ISPUP, apesar dos avanços ao nível da terapêutica e cuidados centrados nos doentes com asma, “esta doença crónica ainda é, muitas vezes, mal gerida, com os asmáticos a sentirem dificuldades em aceder aos cuidados de saúde, em aderirem aos tratamentos e em gerirem a própria doença”.

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