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UNICEF: A cada três minutos uma rapariga foi infetada com SIDA em 2017
DATA
25/07/2018 15:19:02
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UNICEF: A cada três minutos uma rapariga foi infetada com SIDA em 2017

Cerca de 30 jovens entre os 15 e os 19 anos foram infetados com VIH/SIDA em cada hora de 2017, sendo que dois terços eram raparigas, o que significa que a cada três minutos uma adolescente foi infetada.

O mais recente relatório da UNICEF - “Mulheres: No centro da resposta ao VIH para crianças” - foi hoje apresentado em Amesterdão, onde decorre uma conferência internacional sobre o tema.

A UNICEF considera que o facto de não se ter conseguido chegar aos jovens infetados está a desacelerar o progresso alcançado, a nível mundial, nas últimas décadas.

A diretora executiva da UNICEF, Henrietta Fore, alega que os números identificam “uma crise de saúde, mas também uma crise de ação”.

Segundo a responsável, “na maioria dos países, mulheres e raparigas não têm acesso a informação, a serviços ou até mesmo o poder de dizer ‘não’ a sexo desprotegido”.

De acordo com o relatório, em 2017 morreram de SIDA 130.000 crianças e adolescentes, com 19 anos ou menos, enquanto 430.000 foram infetados.

O documento precisa, ainda, que os adolescentes entre os 10 e os 19 anos são quase dois terços dos três milhões de crianças e jovens, entre os 0 e os 19 anos, que vivem com VIH. Note-se que o número de mortes tem diminuído em todos os grupos etários, excepto entre os jovens dos 15 aos 19 anos.

A propagação da epidemia entre raparigas está a ser impulsionada pela prática de sexo precoce, relações sexuais forçadas, bem como pela “incapacidade de ter uma voz em assuntos relacionados com sexo e a falta de acesso a aconselhamento e serviços de despistagem confidenciais”.

A UNICEF, juntamente com a agência das Nações Unidas de combate à sida, ONUSIDA, e outros parceiros, lançou iniciativas destinadas aos adolescentes, uma delas destinada a jovens de 25 países com mais casos de infeções e outra destinada a reduzir o número de novas infeções.

Estas iniciativas possibilitaram um “sucesso significativo na prevenção da transmissão do VIH de mãe-para-filho”, indica o relatório, segundo o qual o número de novas infeções entre crianças dos 0 aos 4 anos caiu um terço entre 2010 e 2017.

Atualmente, quatro em cada cinco mulheres grávidas com VIH têm acesso a tratamentos. De salientar que na região da África Austral, nomeadamente Botsuana e África do Sul apresentam, hoje em dia, taxas de transmissão de mãe-para-filho de apenas de 5%, e mais de 90% das mulheres com VIH estão em tratamento.

Saúde Pública

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