Europacolon: Atrasos em colonoscopias colocam vida dos doentes em risco
DATA
31/07/2018 11:00:50
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Jornal Médico
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Europacolon: Atrasos em colonoscopias colocam vida dos doentes em risco

Os doentes referenciados após o resultado positivo na pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) aguardam, em média, cinco meses por uma colonoscopia, quando o “ideal é três semanas”, colocando “em causa vidas humanas”, alertou a Europacolon Portugal.

Em declarações à agência Lusa, o presidente desta instituição, Vítor Neves, denunciou a “tendência de adiamento do rastreio de base populacional do cancro do intestino”, um rastreio que é “uma atitude preventiva que pode detetar a doença a tempo de ser estabilizada”.

Segundo o responsável, em dezembro de 2016, a população foi informada que o rastreio ia começar, numa zona piloto no Norte do país, sendo depois replicado noutras zonas do país, e em julho de 2017, a Administração Regional da Saúde (ARS) Lisboa e Vale de Tejo deu um “anúncio informal” de que o rastreio ia começar em “quatro centros de saúde em Setúbal”.

Contudo, Vitor Neves afirma que “não há um rastreio de base populacional” e os projetos piloto do Norte não estão a ter “replicações no resto do país”.

“Sentimos que a ARS centro tem o rastreio parado. A parte mais grave é que as colonoscopias necessárias, de quem tem positividade de sangue oculto nas fezes, não estão a ser conseguidas no prazo mínimo expectável, que seriam de três a quatro emanas. As reclamações de pacientes é que colonoscopias estão a demorar meses a serem marcadas, o que contraria a filosofia do rastreio e da sobrevivências das pessoas, que precisam de confirmar se é uma doença oncológica”, denunciou.

Está previsto no orçamento nacional de saúde e faz parte do contrato-programa de cada hospital, uma verba para o rastreio de cancro do cólon retal, cabendo aos “hospitais centrais e ARS contratualizar, no princípio de cada ano, o número de colonoscopias disponíveis” para fazer o seguimento do rastreio, destacando o IPO do Porto, como “uma anomalia positiva, porque vai funcionando”.

“Os outros [hospitais] não conseguem dentro do prazo estipulado, tem de ser feito fora das horas de trabalho presumo, porque as listas de espera estão cheias. Isso os hospitais saberão. O que sabemos é que os utentes não estão a fazer, dentro do prazo estipulado as colonoscopias, no tempo determinado. Meses à espera de uma colonoscopia é um risco muito grande para a vida das pessoas”, sublinhou.

Note-se que, em Portugal, registam-se cerca de oito mil casos de cancro do cólon retal por ano, resultando em quatro mil mortes anuais: 11 por dia.

 

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Editorial | Jornal Médico
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