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Bastonário aponta problemas na Ginecologia e Obstetrícia do Amadora-Sintra
DATA
07/08/2018 16:23:06
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Bastonário aponta problemas na Ginecologia e Obstetrícia do Amadora-Sintra

Pelo menos um terço das urgências de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) foram asseguradas por equipas sem o número mínimo de profissionais exigido, obrigando à transferência de grávidas.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, visitou hoje o hospital, na sequência da ameaça de demissão das chefes de equipa deste serviço.

“No mês de julho, dos 62 períodos de urgência, 20 não tiveram sequer a equipa mínima que é recomendada pelo colégio de especialidade, o que significa que, nalguns casos, a situação é dramática”, afirmou Miguel Guimarães.

Por exemplo, no passado dia 14 de julho, o serviço de urgência de Ginecologia e Obstetrícia foi assegurado apenas por uma especialista, uma jovem interna e de um médico de clínica geral.

“Não é possível num hospital que serve uma população de quase 600 mil habitantes, que tem uma atividade do serviço de urgência enorme, ter uma equipa abaixo dos mínimos”, salientou o bastonário.

Uma das chefes de equipa, Teresa Matos, revelou que em todas as situações que o serviço esteve a funcionar com equipas abaixo do mínimo, várias grávidas tiverem de ser transferidas para outros hospitais.

Sobre as eventuais demissões, Teresa Matos afirmou que os médicos estão “à espera de ver quais são as respostas, as soluções” que vão ser apresentadas, sendo que a decisão será tomada no dia 14 de agosto.

Miguel Guimarães defende que o serviço precisa “com urgência” de mais cinco especialistas. “É uma emergência mesmo, porque, caso contrário, pode acontecer que a equipa de Obstetrícia e Ginecologia não possa funcionar em determinados dias”.

O bastonário lembrou que o serviço tem “um corpo clínico envelhecido”. Dos 17 especialistas que fazem urgência, nove têm mais de 55 anos, dois têm 54, o que faz com que nada possa garantir que os médicos não apresentem, no próximo mês, uma recusa em fazer noites ou urgências. Por outro lado, dos sete especialistas com menos de 50 anos, dois estão de licença de maternidade.

Segundo Miguel Guimarães, o Amadora-Sintra foi identificado, pelo colégio de especialidade de Obstetrícia e Ginecologia, como um dos três hospitais do país com mais carências nesta área, juntamente com os Hospitais de Braga e Faro.

Para o bastonário, os médicos deste hospital “têm sido uns heróis, porque multiplicam urgência, atrás de urgência, mas sentem que na realidade a segurança clínica pode estar em causa”.

Saúde Pública

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