Greve dos enfermeiros adia mil cirurgias nos grandes hospitais
DATA
14/08/2018 11:56:05
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Jornal Médico
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Greve dos enfermeiros adia mil cirurgias nos grandes hospitais

A greve dos enfermeiros vai obrigar ao adiamento de mil cirurgias em três grandes hospitais do país: Santa Maria e S. José, em Lisboa, e São João, no Porto.

“Nestes cinco dias [de greve] 1.000 cirurgias vão ser adiadas” nestes hospitais, porque “os blocos cirúrgicos normais estão parados”, adiantou à agência Lusa José Correia Azevedo, dirigente da Federação Nacional dos Sindicatos de Enfermeiros (FENSE), que convocou a paralisação.

Sobre a adesão à greve no turno da noite, o dirigente sindical referiu que se “mantém nos níveis” de segunda-feira, oscilando entre os 83 e os 96%.

José Correia Azevedo indicou que não são esperadas grandes oscilações nos próximos três dias, porque “as equipas, quando recebem o pré-aviso, começam a fazer o plano de trabalho, que neste momento já está feito para os cinco dias”.

Relativamente ao impacto da paralisação nas consultas e nas cirurgias de urgência, o sindicalista garantiu que estão assegurados os serviços mínimos para “evitar situações de não retorno”.

“Nos cuidados primários mantemos o apoio àqueles doentes que estão dependentes e não têm recursos perto, não vamos deixar que se desloquem aos hospitais”, afirmou.

Tudo o que diz respeito “a pensos, injetáveis, administração terapêutica” que são “absolutamente essenciais”, o serviço está garantido.

Em relação às consultas hospitalares, José Correia Azevedo afirmou que aquelas que são asseguradas por médicos estão a funcionar normalmente, já as que têm o apoio da enfermagem “estão paradas”.

Esta greve dos enfermeiros, marcada pela FENSE, que integra o Sindicato Independente Profissionais de Enfermagem (SIPE) e o Sindicato dos Enfermeiros (SE), exige a conclusão da negociação do Acordo Coletivo de Trabalho entregue pelos sindicatos em 16 de agosto de 2016.

Os enfermeiros pretendem que seja criada uma carreira especial de enfermagem que integre a categoria de enfermeiro especialista e reclama o descongelamento da carreira, lembrando que o Estado deve aos enfermeiros 13 anos, 7 meses e 25 dias nas progressões, e a revisão das tabelas remuneratórias.

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.