Chefes de equipa do Amadora-Sintra efetivam demissão
DATA
16/08/2018 11:35:49
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS



Chefes de equipa do Amadora-Sintra efetivam demissão

Os chefes de equipa do serviço de Urgência de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Amadora-Sintra concretizaram esta terça-feira os pedidos de demissão, após a administração hospitalar e a tutela não cederem ao que fora exigido.

"Uma vez que o Conselho de Administração (CA) e o Governo não responderam a qualquer das questões que os médicos colocaram - nomeadamente a contratação de especialistas para o serviço e a reorganização do serviço de urgência - e por considerarmos que a contratação de empresas de prestação de serviços pode mitigar o problema pontualmente, mas não tem nenhuma [consequência] estrutural, não há nenhuma razão para que os médicos não mantenham a demissão", disse à agência Lusa o presidente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Roque da Cunha.

Recorde-se que as cartas de demissão foram entregues no início de agosto, tendo sido dado à administração um prazo de 15 dias, que terminou esta terça-feira, para resolver a situação.

Devido à falta de médicos, há uma “situação de contingência” no serviço de Urgência de Obstetrícia: “A nada ser feito, irá naturalmente fechar a médio prazo, porque, se neste momento os médicos com 55 anos decidissem deixar de fazer noites e com 50 anos deixassem de fazer urgências, não havia ninguém para fazer o serviço de urgência no hospital Amadora-Sintra", descreveu Roque da Cunha.

Segundo o responsável do SIM, o Ministério da Saúde e o CA, "tal como em outras matérias, não fizeram nada para que o problema fosse resolvido". O sindicato e os médicos consideram que a proposta apresentada, de contratação de profissionais de empresas de prestação de serviços, ou tarefeiros, não é uma solução.

Para Roque da Cunha, a responsabilidade pelos problemas que ocorram “é do CA, uma vez que os médicos já entregaram minutas de exclusão de responsabilidade".

Outro problema apontado pelo sindicato é a incapacidade de fixar médicos: "Não só não contratam, como nos dois últimos anos saíram cerca de uma dezena de médicos".

Durante uma visita do bastonário da Ordem dos Médicos ao hospital, realizada no passado dia 7 de agosto, uma das chefes da equipa revelou que em todas as situações o serviço esteve a funcionar com equipas abaixo do mínimo e várias grávidas tiveram de ser transferidas para outros hospitais.

A médica Teresa Matos lembrou, ainda, que o serviço tem “um corpo clínico envelhecido”. Dos 17 especialistas que fazem Urgência, nove têm mais de 55 anos e dois têm 54, o que faz com que nada possa garantir que os médicos não apresentem, no próximo mês, uma recusa em fazer noites ou mesmo as urgências.

Na altura, Miguel Guimarães defendeu que o serviço precisava “com urgência” de mais cinco especialistas. “É uma emergência mesmo, porque, caso contrário, pode acontecer que a equipa de obstetrícia e ginecologia não possa funcionar em determinados dias”, frisou.

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.