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Açores: Abraço promove rastreios e formações sobre VIH e hepatite C
DATA
23/08/2018 13:12:55
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Açores: Abraço promove rastreios e formações sobre VIH e hepatite C

A Associação Abraço vai promover formações e rastreios nos Açores, em 2018 e 2019, no âmbito de um plano que pretende sensibilizar profissionais de saúde e a população em geral sobre a incidência de VIH e hepatite C.

Em declarações à agência Lusa, o presidente desta associação, Gonçalo Lobo, explicou que o principal objetivo “é sensibilizar as pessoas para a necessidade de fazer o rastreio, porque muitas vezes as pessoas acham que não pertencem a grupos de risco e por isso não têm de fazer o rastreio”.

A Abraço pretende, ainda, “sensibilizar os profissionais de saúde para terem uma linguagem menos culpabilizadora e menos julgativa”, de forma a que “as pessoas possam ter um diálogo aberto e franco com eles e também agilizar o mais rápido possível as consultas”.

Trata-se da primeira iniciativa promovida pela Abraço nos Açores, onde a associação ainda não tem sede, que conta com um apoio de dez mil euros por parte do executivo açoriano.

Na origem deste plano está a elevada incidência de alguns fatores de risco de transmissão de VIH e hepatite C nos Açores.

“Sabemos que a percentagem de ocorrência de casos [entre pessoas que utilizam drogas injetáveis] é muito superior e que devido à desestruturação que estão a ter nesse momento da sua vida não estão tão sensibilizados para a importância da sua saúde”, destacou Gonçalo Lobo.

De acordo com o relatório do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) de 2016, a Região Autónoma dos Açores era uma das que apresentavam as mais elevadas prevalências de consumo recente e atual de qualquer droga na população entre os 15 e os 74 anos.

O projeto, dirigido a profissionais de saúde e a profissionais de ciências sociais e humanas e educação, vai arrancar com seis formações, nas ilhas de São Miguel e Terceira, que poderão abranger cerca de uma centena de pessoas.

Paralelamente, serão promovidos cerca de 500 rastreios ao VIH, através do projeto “Teste em Casa”, que “permite o conhecimento do estatuto serológico sem necessidade do contacto cara-a-cara”.

“O envelope não está identificado, a pessoa recebe o kit para fazer o rastreio em casa e sabe automaticamente qual é o seu resultado. A partir daí pedimos à pessoa para nos disponibilizar o resultado e depois podemos ajudar na ligação aos cuidados de saúde, a ter a consulta médica, a fazer as análises e a entrar em tratamento”, explicou o presidente da Abraço.

Segundo Gonçalo Lobo, este novo projeto “vai mitigar a questão da vergonha, da culpa, do medo de as pessoas virem a saber”.

Citando dados da Secretaria Regional da Saúde, a Abraço adianta que desde 2015 foram pedidas 523 autorizações para tratamento da hepatite C nos Açores, numa média de 150 pedidos por ano.

Já no que diz respeito ao VIH, a região notificou 13 novos casos de infeção por VIH, em 2016, tendo sido diagnosticados 18 casos de VIH e três de SIDA, em 2011 e 2012, de acordo com o Departamento de Doenças Infecciosas do Instituto Nacional de Saúde, três casos de SIDA.

A associação alerta para o facto de muitos doentes serem acompanhados em Portugal Continental, não sendo possível quantificar o número real de casos de infeção por VIH.

Saúde Pública

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