Estudo: Internamentos por doença mental aumentam com temperaturas altas
DATA
29/08/2018 12:41:15
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Jornal Médico
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Estudo: Internamentos por doença mental aumentam com temperaturas altas

O número de internamentos por distúrbios mentais sobe sempre que se verifica um aumento das temperaturas acima dos 30ºC, concluiu um estudo da Universidade de Coimbra (UC).

O estudo, que analisou o número de internamentos por distúrbios mentais entre 2008 e 2014 de residentes da Área Metropolitana de Lisboa, identificou que há um aumento significativo de entradas nos hospitais quando as temperaturas são mais elevadas.

"A exposição a temperaturas elevadas deve ser considerada como um risco significativo de doença mental", concluiu o estudo, que tem como primeiro autor o investigador do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território da UC, Ricardo Almendra.

Entre 2008 e 2014, foram registados 30.139 internamentos por distúrbios mentais, o que representa uma média de 12 por dia.

"O aumento de internamentos nos dias de temperaturas mais elevadas, como descoberto no estudo, é consistente com estudos anteriores que analisaram a relação entre a temperatura e doenças mentais em diferentes sítios com diferentes climas", sublinha o estudo, citado pela agência Lusa.

Com base nas previsões climáticas atuais, "a probabilidade de temperaturas altas na Europa vai registar um aumento nos próximos anos, causando uma série de efeitos diretos e indiretos na saúde humana, incluindo um aumento da mortalidade associada ao calor. Neste contexto, tem que haver respostas de saúde pública adequadas e prontas para lidar com internamentos por doença mental relacionados com o calor", sublinha o estudo.

Os investigadores apontam para outros estudos que explicam que indivíduos com doenças mentais poderão estar mais vulneráveis aos efeitos de temperaturas extremas, devido à possibilidade da medicação psicotrópica e das próprias doenças psiquiátricas poderem afetar as funções termorregulatórias do corpo.

A equipa cita outro estudo que sugere que o aumento de vulnerabilidade com o calor pode estar associado também às variações da eletricidade atmosférica, nomeadamente as concentrações de iões no ar, o que pode interferir com a serotonina.

Embora tenha sido registada uma maior vulnerabilidade das mulheres ao risco de internamento, não foi identificado qualquer diferença significativa entre grupos etários.

O estudo frisa, ainda, que é necessário desenvolver mais investigação nesta área, nomeadamente para medir a vulnerabilidade de idosos ou para verificar se há diferenças relativamente às qualificações ou condições socioeconómicas dos indivíduos.

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