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Bastonário defende incentivos iguais para fixar médicos residentes e emigrantes
DATA
29/08/2018 16:15:26
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Bastonário defende incentivos iguais para fixar médicos residentes e emigrantes

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, defendeu que o primeiro-ministro, António Costa, deve usar os mesmos incentivos para fixar médicos residentes e emigrantes.

“Mas porque é que não estamos a fazer [o mesmo] para tentar fixar os nossos jovens no nosso país, nas zonas que são mais carenciadas, porque é que não utilizamos os mesmos argumentos em termos de incentivos?”, questionou o bastonário, em declarações aos jornalistas, após uma visita ao Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA).

Segundo Miguel Guimarães, o anúncio de António Costa em beneficiar em termos fiscais quem queira regressar a Portugal representa “uma desigualdade naquilo que é a possibilidade de tentar fixar médicos, nomeadamente nas áreas mais carenciadas, como é o caso do Algarve”.

O bastonário considera que se forem dadas condições aos médicos, estes acabam por ficar no Serviço Nacional de Saúde (SNS), algo que é “muito importante para os jovens médicos, uma vez que dessa experiência “resulta uma boa medicina”.

Por outro lado, Miguel Guimarães alega que Portugal precisa de ter “capacidade concorrencial” com a Europa e com o setor privado, sob pena de continuar a perder alguns dos seus melhores valores, nomeadamente na Medicina.

O responsável dos médicos considera, ainda, que a política de incentivos deve ser estendida às pessoas que “durante 20 ou 30 anos” estiveram a assegurar cuidados de saúde em zonas mais carenciadas, caso contrário, as mesmas poderão sentir-se “defraudadas se isso se aplicar só a determinado tipo de médicos”.

Miguel Guimarães disse, ainda, que os médicos “não têm sido devidamente ouvidos” a participarem nas decisões da prática clínica do dia a dia, sujeitos a uma “elevadíssima pressão”, o que também dificulta a fixação de médicos.

Durante a visita ao Algarve, o bastonário identificou falta de especialistas, nomeadamente no bloco de partos e nas áreas da Radiologia, Anatomia Patológica, Urologia, Hematologia, Ortopedia, Neonatologia, Anestesiologia, entre outros.

O bastonário alertou também para a necessidade da criação da especialidade de Cirurgia Pediátrica, que ainda não está organizada em termos de serviço, dispondo apenas de uma especialista.

"Não é aceitável que crianças que poderiam ser tratadas cá, seja em contexto de urgência, seja de cirurgia programada, tenham de se deslocar 300 quilómetros para ir a Lisboa", concluiu.

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Editorial
Rui Nogueira
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“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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