Holanda quer proibir entrada de crianças não vacinadas nas creches
DATA
30/08/2018 12:52:04
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS



Holanda quer proibir entrada de crianças não vacinadas nas creches

O Governo holandês está a ponderar proibir a entrada de crianças não vacinadas contra o sarampo, varicela e a rubéola nas creches.

De acordo com a notícia avançada pelo ABC, na base desta decisão está o mais recente surto de sarampo que atingiu a Europa, considerado o maior da última década, com um total de 41 mil casos nos primeiros seis meses do ano.

Segundo o jornal espanhol, uma grande maioria parlamente, liderada pelos três principais partidos do governo, acredita que informar a população sobre os riscos da não vacinação é insuficiente.

“Como pai, tenho o direito de saber o quão seguro está o meu filho. Estamos a favor de um registo obrigatório e de dar às entidades de cuidado infantil a possibilidade de rejeitarem crianças que não estejam vacinadas”, disse o deputado socialista Peter Kwint, citado pelo ABC.

A questão da vacinação infantil tem sido muito discutida na Holanda, sendo que, ainda este mês, os diretores de vários colégios holandeses ameaçaram impedir a entrada de crianças que não apresentassem o boletim de vacinas em dia.

Note-se que, este verão, a França, a Itália e a Áustria adotaram medidas semelhantes, com o objetivo de travar o surto de sarampo.

Segundo o deputado liberal Klaas Dijkhoff, esta obrigatoriedade tem de ser aplicada o quanto antes, tendo em conta a diminuição que se tem vindo a verificar na taxa de vacinação. Nos últimos anos, a taxa caiu para 90,2%, sendo que a recomendação da Organização Mundial de Saúde é de 95%.

“É importante continuar a explicar aos pais os riscos de não vacinarem os seus filhos, não apenas para eles, mas também para as outras crianças e bebés”, frisou o deputado.

Até agora, a proposta conta com o apoio de 95 dos 150 deputados que constituem o parlamento holandês. O secretário de Estado da Saúde Pública, Paul Blokuis, anunciou que vai incluir medidas coercivas que vão além das campanhas de informação.

A decisão final deverá acontecer ainda este outono.

Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve

É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.