CINTESIS avalia intervenção familiar em doentes tratados com hemodiálise
DATA
12/09/2018 11:18:58
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Jornal Médico
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CINTESIS avalia intervenção familiar em doentes tratados com hemodiálise

Investigadores do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS), no Porto, estão a desenvolver um projeto que usa a intervenção familiar para melhorar a vida dos doentes com insuficiência renal crónica terminal, atualmente em tratamento de hemodiálise.

Intitulado “Together We Stand”, o projeto recebeu um financiamento superior a 210 mil euros da Fundação para a Ciência e a Tecnologia com o objetivo de desenhar e avaliar uma intervenção em autogestão da doença centrada na família para pacientes adultos em hemodiálise e seus familiares.

“A intervenção parte do pressuposto de que uma condição de saúde como a insuficiência renal crónica terminal não atinge apenas o paciente, mas cada membro da família e a família como sistema ou unidade. Neste sentido, será desenvolvido um programa psico-educativo com o objetivo de capacitar o doente e os seus familiares para uma melhor gestão da doença e adaptação funcional à mesma”, explica a investigadora principal do estudo, Daniela Figueiredo, em comunicado.

Composta por seis ou oito sessões, no formato de grupos de discussão multifamílias, esta intervenção deverá contribuir para aumentar a adesão dos pacientes aos tratamentos de hemodiálise.

Segundo os investigadores do CINTESIS, “a prevalência de não adesão é elevada. A não adesão à restrição de líquidos, por exemplo, pode ascender aos 60%, enquanto a frequência inadequada das sessões pode atingir os 35%”.

“A hemodiálise é muito exigente para a pessoa com insuficiência renal crónica terminal, mas também para os familiares mais próximos que representam a sua principal fonte de apoio. Os tratamentos exigem mudanças muito significativas no estilo de vida, pois os pacientes têm de aderir a um regime de tratamento complexo que implica frequentar sessões de hemodiálise três a quatro vezes por semana, entre quatro a cinco horas por sessão”, sublinha Daniela Figueiredo.

Com efeito, acrescenta, “a família presta frequentemente apoio emocional, isto é, ajuda a gerir as emoções que decorrem do impacto dos tratamentos hemodialíticos, ajuda na gestão medicamentosa, no cuidado do acesso vascular, a reestruturar toda a vida social, incluindo as viagens de férias, acompanha o paciente às consultas e sessões de diálise. Ou seja, toda a família tem de se reorganizar para se adaptar a esta nova condição e isso, por vezes, também pode levar à sobrecarga de quem está mais próximo”.

A investigadora refere que “existe uma associação entre a taxa de sobrevivência destes pacientes e o suporte familiar. Por exemplo, a perceção de elevado suporte familiar tem sido associada a uma maior taxa de utilização de serviços de saúde por parte de pessoas com esta condição. Neste sentido, também é importante apoiar os familiares de forma a evitar a disrupção do apoio que prestam à pessoa com insuficiência renal crónica terminal”

Espera-se, ainda, que a intervenção centrada na família surta efeitos mais significativos, quando comparada com outros métodos, no ajustamento psicossocial de pacientes e familiares, ajudando a manter a mudança comportamental a médio prazo e a prevenir a rutura do suporte familiar.

“A depressão é, sem dúvida, um dos mais importantes sinais de desajustamento, com valores que de prevalência que podem variar entre os 12%-40%. Tem-se verificado que a depressão, por sua vez, se associa a uma má nutrição e desadequada adesão aos tratamentos hemodialíticos e regime medicamentoso. Existem até alguns estudos que observaram a depressão como fator preditor de desistência da hemodiálise”, afirma a investigadora

De acordo com os dados disponibilizados pelo CINTESIS, “em Portugal, há cerca de 12 mil doentes a fazer hemodiálise, dos quais 60% têm mais de 65 anos de idade”.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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