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Estudo: Um em cada dez doentes em hemodiálise não tem rede de suporte
DATA
19/09/2018 14:52:22
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Jornal Médico
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Estudo: Um em cada dez doentes em hemodiálise não tem rede de suporte

Um estudo concluiu que um em cada dez doentes renais que faz hemodiálise não tem qualquer rede de suporte.

O estudo, realizado por um grupo de assistentes sociais, em coautoria com a investigadora Sónia Guadalupe do Instituto Superior Miguel Torga, adianta que quase 11% da população que faz hemodiálise não tem nenhuma rede de suporte.

A maioria (72,2%) tem como principal fonte de apoio a família, os amigos e os vizinhos. Apenas um grupo restrito dos doentes com insuficiência renal crónica depende exclusivamente de uma rede de apoio formal.

O trabalho de investigação, que envolveu 3.114 doentes em tratamento em 25 clínicas de hemodiálise de todo o país em 2016, indica que a maioria da população em hemodiálise é masculina, com mais de 65 anos, casada, com casa própria e tem baixos níveis de escolaridade e pouca literacia em saúde. No entanto, há um grupo de doentes em situações de vulnerabilidade social.

O estudo, publicado no National Kidney Foundation of Nephrology Social Work, salienta que a percentagem de doentes desempregados, que residem em habitações precárias, que vivem sozinhos ou em famílias monoparentais e de pacientes que foram deslocados dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) ou que não têm nenhum apoio informal ou formal é “altamente relevante”.

Entre os desempregados, destacavam-se os de longa duração, já sem benefícios sociais, o que se deve à dificuldade de encontrarem um trabalho compatível com as suas limitações e com os dias de tratamento.

Uma das responsáveis do estudo, Marta Olim, explicou à agência Lusa, a investigação pretende “perceber os perfis maioritários e minoritários” destes doentes para poder intervir “o melhor possível” junto desta população.

“Isso tem que ver com o conhecimento das suas famílias, dos seus recursos económicos e de como, por exemplo, vivem”, disse a investigadora.

De acordo com os dados obtidos, 10% dos doentes são oriundos dos PALOP, maioritariamente de Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé, sendo que vêm para Portugal ao abrigo de acordos de saúde, chegando, muitas vezes, em “condições muito frágeis”.

Segundo Marta Olim, estes doentes chegam com uma “fragilidade psicossocial enorme e com um desenraizamento muito significativo”.

A maioria dos doentes (53,8%) tem o primeiro ciclo, 10,18% são analfabetos e apenas 7% têm o ensino superior. “Têm pouco acesso, pouca informação, pouca literacia em saúde” e recorrem aos serviços em situações “muito mais avançadas de doença”, sustentou a investigadora.

Para as autoras do estudo é essencial conhecer o perfil sociológico destes doentes para melhorar programas específicos de intervenção de serviço social, assim como medidas de política organizacional e social capazes de satisfazer as necessidades dos doentes e de promover o seu bem-estar individual e social.

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Editorial
Rui Nogueira
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