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Especialista defende uso de técnicas de distração para aliviar dor nas crianças
DATA
08/10/2018 13:04:55
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Especialista defende uso de técnicas de distração para aliviar dor nas crianças

Estratégias simples para aliviar a dor nas crianças, como, por exemplo, fazer bolinhas de sabão devem ser usadas por todos os profissionais de saúde, defendeu uma especialista da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED).

“A medicina está bastante evoluída, fazem-se tratamentos, intervenções com tecnologia bastante sofisticada, cada vez se curam mais e se diagnosticam mais as doenças, mas depois há determinados aspetos humanos e éticos que acabam por ficar um bocadinho esquecidos” como minorar a dor, disse em entrevista à agência Lusa a pediatra e coordenadora do Grupo de Dor da Criança e Adolescentes da APED, Clara Abadesso.

Com o objetivo de sensibilizar os profissionais de saúde, os pais e a comunidade para esta problemática, a APED promoveu uma exposição sobre a Dor em Pediatria, intitulada “Desenhos da Minha Dor”, que foi inaugurada há cerca de um ano em Coimbra, e está a circular por todos os hospitais do país.

Até quarta-feira esta exposição vai estar no Hospital Amadora-Sintra e, posteriormente, será exposta na XVI Reunião Iberoamericana de dor e VI Congresso da APED, que decorrem em simultâneo, entre 11 e 13 outubro, em Lisboa.

A exposição, composta por 21 desenhos, nasceu do concurso “Vou desenhar a minha dor”, promovido pela APED desde 2005, que desafiava as crianças hospitalizadas a retratar a sua experiência de dor.

“Tínhamos desenhos lindíssimos que retratam bem os aspetos multidimensionais do que é a experiência de dor, e são bem elucidativos e mostram que as crianças também sentem dor”, sublinhou Clara Abadesso.

Note-se que, até há pouco tempo, existia a ideia de que os bebés, sobretudo os prematuros, não sentiam a dor como os adultos, dado que o sistema nervoso nesta faixa etária ainda não está completamente desenvolvido.

De acordo com a especialista existem três tipos de estratégia para o tratamento da dor: farmacológicas, físicas e psicológicas.

“Tínhamos desenhos lindíssimos que retratam bem os aspetos multidimensionais do que é a experiência de dor, e são bem elucidativos e mostram que as crianças também sentem dor”, disse Clara Abadesso.

Outras “estratégias muito simples” passam por deixar as crianças fazerem bolinhas de sabão, soprarem um moinho de vento ou aprenderem a respirar fundo para relaxar e libertar a tensão e a ansiedade, frisou Clara Abadesso, defendendo que estas técnicas devem ser utilizadas porque vão “desviar o foco da criança em relação ao procedimento que lhe vai causar dor”.

A hipnose também pode ser aplicada através de alguns exercícios como a luva mágica ou incentivar a criança a viajar ao seu lugar favorito através do pensamento, para ela ir "experienciando" o que vê, o que cheira, o que sente e o que ouve.

“A criança está tão absorvida nessa experiência que acaba por entrar num estado de transe e as situações exteriores acabam por perder a importância”, contou.

Clara Abadesso está a desenvolver uma consulta de dor crónica pediátrica no Hospital Amadora-Sintra para ajudar as crianças e adolescentes que sofrem deste problema, que está ainda subdiagnosticado, subvalorizado e subtratado.

“Muitas vezes essas crianças andam perdidas entre várias consultas à procura de uma resposta para a sua dor”, lamentou.

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
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“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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