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Joana Paredes: “Os principais desafios da Urologia estão relacionados com a patologia oncológica”
DATA
05/11/2018 11:04:00
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Jornal Médico
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Joana Paredes: “Os principais desafios da Urologia estão relacionados com a patologia oncológica”

Para a investigadora principal no grupo Cancer Genetics – Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup), Joana Paredes, atualmente a Urologia enfrenta grandes desafios, nomeadamente a nível oncológico. O 1º Simpósio Português de Investigação e Inovação em Urologia, organizado pela Academia CUF, será uma excelente oportunidade para médicos e investigadores abordarem várias questões relacionadas com esta temática e descobrirem novos caminhos de investigação.

JORNAL MÉDICO (JM)| O que podem esperar os participantes do 1.º Simpósio Português de Investigação e Inovação em Urologia?

JOANA PAREDES (JP)| De acordo com o programa que foi desenhado para este simpósio, penso que os participantes terão essencialmente a possibilidade de conhecer o que se faz, e quem faz, investigação em Urologia a nível nacional. A ideia é reunir, no mesmo espaço, médicos e investigadores a trabalhar nesta temática, para que se possa não só abordar questões mais relacionadas com a biologia associada à doença, mas também questões clínicas associadas ao diagnóstico e tratamento de doentes com patologia urológica. Isto poderá, assim, permitir a colaboração entre estes dois mundos do conhecimento, algo que é crucial para que se possa de facto avançar e inovar no tratamento destas, ou de quaisquer outras, doenças. 

 

JM| Atualmente, quais são os principais desafios da Urologia?  

JP| Na minha opinião os principais desafios da Urologia estão relacionados com a patologia oncológica, nomeadamente no que se refere ao cancro da próstata e da bexiga: o diagnóstico precoce, a estratificação dos doentes em risco de progressão, a resistência aos tratamentos e o follow-up dos doentes para determinação de recaída.

 

JM| Qual é a importância da genética e epigenética no tratamento do cancro?

JP| Há muito tempo que sabemos que as alterações genéticas e epigenéticas estão na base da carcinogénese da maioria das neoplasias que conhecemos. A sequenciação do genoma de milhares de cancros humanos permitiu-nos descobrir uma série de mutações em determinados genes que controlam o epigenoma. Essas mutações têm o potencial de perturbar os padrões de metilação do ADN, as modificações das histonas e o posicionamento do nucleossoma e, portanto, a expressão génica. A alteração genética do epigenoma contribui assim para a carcinogénese, assim como o processo epigenético pode causar mutações pontuais e perturbar as funções de reparação do ADN. Este crosstalk entre o genoma e o epigenoma oferece novas possibilidades de terapia. Aliás, existem várias alterações genéticas que já funcionam como alvos terapêuticos para vários fármacos que são usados atualmente na clínica.


JM| Que trabalho sem sido desenvolvido pelo Ipatimup nesta área?

JP| O grupo liderado pela Dra. Paula Soares, no Ipatimup, tem feito investigação na área do cancro da bexiga e ela será, inclusivamente, uma das oradoras deste simpósio.  O seu grupo identificou mutações no promotor do gene da telomerase (TERT) como sendo um evento frequente em melanomas esporádicos e familiares, gliomas, cancro da tiroide e cancro da bexiga. A presença destas mutações associa-se a uma maior agressividade tumoral e a uma pior sobrevida dos doentes. Com bases nestas descobertas, discute-se neste momento o valor da telomerase como um novo biomarcador com impacto no prognóstico dos doentes e como possível alvo terapêutico.

Consulte mais informações sobre o evento aqui.

 

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Editorial
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