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SPEO defende medidas para combater obesidade
DATA
22/11/2018 10:32:00
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SPEO defende medidas para combater obesidade

A Sociedade Portuguesa Para o Estudo da Obesidade (SPEO) considera que é preciso criar medidas para combater a doença. A comparticipação dos medicamentos e a presença de nutricionistas e psicólogos nos centros de saúde são algumas das sugestões. 

“Temos que dar ferramentas às pessoas para que o possam fazer e, no caso da obesidade, a ferramenta não depende só do médico, são precisos os nutricionistas e os psicólogos nos centros de saúde”, disse a presidente da SPEO, Paula Freitas, a propósito do 22.º Congresso Português da Obesidade, que decorre entre sexta-feira e domingo, em Lisboa.

Segundo Paula Freitas, existem programas da Direção-Geral da Saúde para combater a pré-obesidade e para o tratamento cirúrgico da obesidade, mas existe “um hiato” que “são aquelas pessoas que têm obesidade numa fase inicial” e que “podem evoluir para formas mais graves ou para a normalidade”.

“É preciso ir ao cerne da questão” e “fazer uma intervenção”, dando ferramentas aos doentes e formação aos médicos de família, que são os que contactam primeiro com os doentes. Para a responsável da SPEO, o combate à doença requer um tratamento integrado, do qual faz parte a dieta, o plano alimentar, exercício físico e em “casos selecionados” os fármacos.

“Neste momento, temos fármacos que são seguros e eficazes. No entanto, são muito dispendiosos e a maior parte das pessoas, sobretudo as que têm mais obesidade e que são das classes sociais mais desfavorecidas”, não os podem pagar.

“Os doentes têm que ter a noção de que os fármacos só por si não são a solução, eles têm que mudar comportamentos e estilo de vida”, frisou Paula Freitas.

Com o objetivo de promover a visibilidade da obesidade enquanto doença, a SPEO elaborou em conjunto com a Sociedade Espanhola para o Estudo da Obesidade um documento denominado “Consenso ibérico”, que tem como lema “Declaramos guerra à obesidade”.

O objetivo principal é “promover a visibilidade da obesidade enquanto doença e tentar que os doentes tenham acessibilidade quer aos médicos, quer ao tratamento não médico, mas também aos tratamentos farmacológicos”, explicou.

De acordo com a presidente da SPEO, um investimento inicial na doença traduz-se “a longo prazo em benefícios e em poupança”, porque está a poupar-se no tratamento de doenças que “o doente está a reduzir ou não vai desenvolver”.

Dados da União Europeia estimam que sejam gastos com a obesidade 59 mil milhões de euros e que os custos representam cerca de 8% do orçamento total da saúde na Europa.

De acordo com os últimos dados do Inquérito Alimentar Nacional, em 2016, a prevalência da obesidade nos adultos rondava os 22,5%, sendo superior nas mulheres (24,3%) do que nos homens (20,1%), e a pré-obesidade 34,8%, sendo a prevalência 30,7% nas mulheres e 38,9% nos homens.

“Isto quer dizer que temos neste momento 60% da população portuguesa com obesidade ou pré-obesidade”, disse Paula Freitas.

Estes dados indicam, ainda, que mais de 58% da população obesa em Portugal está desempregada, reformada ou inativa.

Durante o congresso, a SPEO irá apresentar o primeiro livro de Recomendações para Tratamento Não Cirúrgico da Obesidade no Adulto, que visa a criação de normas consensuais para o diagnóstico da doença, tratamento e multidisciplinaridade da equipa no acompanhamento dos doentes.

As recomendações servem para que os profissionais de saúde tenham acesso a formação especializada em tratamentos eficazes, para que adotem um discurso não estigmatizante e para que todos os indivíduos com sobrepeso tenham acessibilidade plena ao tratamento integral da obesidade.

“Apesar de Portugal ter sido um dos primeiros países a considerar a obesidade uma doença, muitas vezes, o próprio doente não vê a obesidade como uma doença e, infelizmente, às vezes, os próprios profissionais de saúde também não”, disse Paula Freitas.

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
Relatório Primavera: verdades e consequências

“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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