APLO denuncia pressão para excluir optometristas dos CSP
DATA
26/11/2018 09:49:33
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Jornal Médico
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APLO denuncia pressão para excluir optometristas dos CSP

A Associação de Profissionais Licenciados em Optometria (APLO) mostrou-se indignada com as pressões que estão a ser conduzidas pela Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, pelo Colégio da Especialidade da Ordem dos Médicos e pela Associação Portuguesa de Ortoptistas, em relação à possível introdução de optometristas no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Numa nota enviada ao nosso jornal, a APLO refere que a inclusão de optometristas pode ajudar a reduzir a lista de espera para primeira consulta de Oftalmologia, que já ultrapassa as 200 mil consultas anuais.

“Em causa estão duas propostas legislativas, nomeadamente do PAN e do PCP, para que os optometristas integrem os cuidados de saúde primários (CSP) do SNS, e a tentativa para que os mesmos as retirem. A retirada de tais propostas seria, a nosso ver, uma falha no dever de todos os deputados em defender os interesses da população, neste caso, o de melhorar o acesso a cuidados de saúde visuais para todos”, denuncia o presidente da APLO, Raúl Sousa.

Em resposta às acusações proferidas, a APLO esclarece que “a Direção-Geral do Ensino Superior classifica os planos de estudos universitários de Optometria exatamente na área da Saúde e que os mesmos estão acreditados pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior”.

“A APLO é constituída exclusivamente por licenciados de Optometria, sendo que mais de 80% possuem mestrado (5 anos) ou licenciatura (4 anos e meio) com estágio profissional incluído, como mínimo, à semelhança de esmagadora maioria dos países europeus e mais avançados no mundo”, acrescenta a nota.

A associação considera, ainda, a integração de optometristas no SNS é a solução para resolver o problema crónico da lista de espera de Oftalmologia e para melhorar o acesso de todos os cidadãos aos cuidados necessários para a saúde da visão.

“A solução que propomos é a abordagem centrada na pessoa com intervenção nos CSP através da implementação de Consulta de Optometria nos centros de saúde, responsável por identificar precocemente as condições anómalas visuais mais prevalentes, tais como os erros refrativos, suscetíveis de tratamento em cuidados primários e com benefícios significativos na intervenção precoce atempada e na comunidade”, explica Raúl Sousa.

De acordo com os dados disponibilizados pela ACSS existe, em Portugal, uma evidente deficiência de meios ao nível dos cuidados primários de saúde da visão, capaz de reduzir as dificuldades de acessibilidade às primeiras consultas de Oftalmologia.  Em 2017 ficaram por realizar 233 228 consultas.

“Se considerarmos que um optometrista pode realizar em média 6 000 consultas por ano espera-se que a implementação de 61 optometristas no SNS consiga acabar com a atual lista de espera. É assim que este problema é resolvido nos países mais desenvolvidos e com a formação em Optometria ao nível da praticada em Portugal.”, conclui o presidente da APLO.

Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve

É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.