Doentes crónicos: APMGF e SPMI querem soluções alternativas à Urgência
DATA
26/11/2018 13:05:37
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Jornal Médico
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Doentes crónicos: APMGF e SPMI querem soluções alternativas à Urgência

A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) e a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) defendem soluções alternativas ao Serviço de Urgência para doentes crónicos.

Em nota conjunta, as duas entidades consideram que deveriam ser criados centros específicos para casos sociais difíceis, bem como garantir a presença de um assistente social em cada serviço de urgência polivalente.

“Os Serviços de Urgência (SU) continuam a servir como centros de emergência para casos sociais e também para os doentes a aguardar vaga na Rede de Cuidados Continuados ou Paliativos. Nos últimos anos, em cada Inverno, a situação agrava-se e cria o caos nos SU, Hospitais e Centros de Saúde”, refere a nota.

Com o intuito de solucionar este problema, a APMGF e a SPMI defendem que se deve dotar cada Serviço de Urgência “de um assistente social, com presença durante todo o horário de funcionamento (…) e com meios para resolução de casos sociais, com recursos fora do hospital”.

De acordo com as duas associações de médicos, atualmente, “seis em cada dez cidadãos recorre ao serviço de urgência hospitalar, sendo Portugal o país da OCDE onde este recurso é mais frequente (o dobro da média dos países da OCDE)”.

“Cerca de 40 a 50% das admissões nos SU são por situações não urgentes, que podiam ser resolvidas fora destes serviços. O excesso de afluência aos serviços de urgência provoca que, em muitas situações, sejam ultrapassados os tempos de espera recomendados pela triagem de Manchester, o que põe em risco a segurança dos doentes e dos profissionais”, frisam.

Por outro lado, nos centros de saúde “assiste-se a solicitações para consulta nos períodos de consulta aberta e consulta aberta em sistema de intersubstituição, que não correspondem a doença aguda, o que gera uma incapacidade de resposta adequada aos utentes”.

“Existe uma falta de informação que ajude a população a utilizar os recursos de saúde de uma forma mais racional” e, simultaneamente, “um subfinanciamento e uma evidente falta de investimento nos Centros de Saúde e nos hospitais”, o que “condiciona uma inadequada resposta à doença aguda, induzindo graves disfunções no sistema”, sublinha a nota.

Para a APMGF e a SPMI, o Governo deve investir na promoção de campanhas públicas educativas que promovam o uso racional dos recursos de saúde e deve ser reformulado o modelo de financiamento dos hospitais.

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Editorial | Nuno Jacinto
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