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SRCOM critica desigualdades no acesso aos cuidados de saúde
DATA
10/12/2018 10:17:03
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SRCOM critica desigualdades no acesso aos cuidados de saúde

O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM), Carlos Cortes, criticou as desigualdades no acesso aos cuidados de saúde existentes entre os utentes do interior e do litoral.

“Estes portugueses [do interior], que infelizmente são classificados de segunda, quando se trata do acesso à saúde não têm as mesmas oportunidades do que um doente do litoral”, apontou o dirigente da SRCOM, em declarações à agência Lusa.

Segundo Carlos Cortes, “por mais que se tente dar a volta, por mais que se fale em vias de comunicação, com vias mais modernas a ligar o interior, a verdade é que não é a mesma coisa”.

Para o responsável, o Ministério da Saúde veria ter uma “maior atenção para quem está a ter dificuldades, mas não, o que é algo absolutamente surpreendente”.

"Muitas vezes parece que há não só um esquecimento, mas quase que uma ignorância sobre os problemas que atravessam estes hospitais. E muitas vezes é difícil e custa ver a forma como o Hospital da Guarda e da Covilhã são esquecidos pela tutela", salientou.

Carlos Cortes denunciou que "não há uma discriminação positiva, quando ela deveria existir", e deu o exemplo "paradigmático" do Serviço de Ortopedia do Hospital da Guarda, "onde os doentes, quando têm um trauma, muitas vezes não têm hipóteses de ser tratados porque há muitos turnos sem ortopedista".

“O distrito da Guarda vai ficar sem Serviço de Cardiologia. Estamos a falar de coisas básicas, para atender as necessidades em saúde mais comuns", enfatizou.

O dirigente deu também o exemplo da unidade de fertilidade "altamente diferenciada" do Hospital da Covilhã, que "tem imensas dificuldades em poder fazer o seu trabalho, porque simplesmente não há profissionais".

"E nunca vi, concretamente, o Ministério da Saúde a preocupar-se em resolver estas situações", afirmou.

De acordo com o presidente da SRCOM, os doentes da “Guarda, Covilhã e Castelo Branco – este distrito numa dimensão menos grave – sofrem e vão continuar a sofrer porque não têm condições de acesso para poderem tratar os seus problemas”.

“Nem todo o país é Lisboa, Porto e Coimbra, sobretudo Lisboa e Porto”, frisou, admitindo que Portugal é um país “muito carenciado, onde a Saúde muitas vezes não só ainda não chegou, como infelizmente está a ir embora”.

"Temo muito por estas populações, por isso tenho tido uma intervenção muito grande nessas zonas do interior, porque tenho receio de que a muito curto prazo deixem de ter valências absolutamente essenciais", ressalvou.

O dirigente apelou ao poder político para “deixar de ser passivo nesta questão do interior, para que a interioridade não seja só uma questão de retórica política”.

Carlos Cortes criticou, ainda, a tutela por não criar “condições nem verdadeiros incentivos” para que os médicos se fixem no interior, revelando que a Ordem dos Médicos nunca foi chamada pelo Ministério da Saúda para, em conjunto, “tentarem resolver esse problema”.

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Editorial
Rui Nogueira
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