Bastonário: Médicos não devem operar sem enfermeiros do bloco operatório
DATA
10/12/2018 17:06:35
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Jornal Médico
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Bastonário: Médicos não devem operar sem enfermeiros do bloco operatório

Miguel Guimarães considera que os médicos não devem operar sozinhos nos hospitais onde decorre a greve dos enfermeiros que trabalham em blocos operatórios.

“A situação que foi levantada pelo presidente dos administradores hospitalares é uma situação que não faz sentido”, disse o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), no final de uma reunião com os diretores clínicos dos cinco hospitais onde decorre a greve.

O responsável dos médicos aproveitou para tranquilizar os doentes em situações mais complexas, afirmando que “tudo está a ser feito pelos hospitais, pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), para que as suas situações sejam resolvidas o mais rapidamente possível, dentro daquilo que são os tempos clinicamente aceitáveis”.

“Os doentes mais graves, é a informação que tenho, é que ou já foram tratados ou estão a ser tratados, isto é, aqueles doentes que têm situações mais complexas, mesmo que não tenham conseguido entrar nos chamados serviços mínimos, o Ministério da Saúde, estará a arranjar uma solução dentro daquilo que são os mecanismos legais existentes no próprio SNS”, acrescentou.

O bastonário utilizou como exemplo o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, que “já transferiu alguns doentes para hospitais da sua área, nomeadamente para o Hospital de São José, para o Centro Hospitalar Lisboa Ocidental e para o Hospital Beatriz Ângelo”.

Contudo, Miguel Guimarães não descarta a hipótese de que “alguns doentes não possam vir a ser prejudicados e até de forma complexa. Por isso é que lançámos o apelo ao Ministério da Saúde e ao Governo para que rapidamente faça alguma coisa no sentido de encontrar uma solução definitiva para esta situação”.

De forma a tranquilizar os doentes, o bastonário garantiu que “os diretores clínicos estão atentos e procuram resolver todas as situações mais complexas”.

“Os casos graves, que felizmente são raros, estão a ser tratados”, mas, “além da questão de a patologia ser mais ou menos grave, a verdade é que muitas destas crianças são normalmente intervencionadas em momentos oportunos, em que tudo é tratado em função da escola. Ao perderem esta oportunidade vai-se gerar uma dinâmica negativa dentro daquilo que pode ser a sua dinâmica escolar”, considerou.

A OM apela ao Ministério da Saúde para que “assuma a sua responsabilidade”, considerando fundamental que os hospitais onde decorre a greve divulguem diariamente o número de cirurgias adiadas, bem como a gravidade das situações clínicas desses doentes.

“Os portugueses têm o direito a saber a verdade dos números e a gravidade das situações”, frisou.

Recorde-se que a greve dos enfermeiros dos blocos operatórios, que deverá terminar no dia 31 de dezembro, decorre no Centro Hospitalar Universitário de São João, no Centro Hospitalar Universitário do Porto, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte e no Centro Hospitalar de Setúbal.

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Editorial | Jornal Médico
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