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Aproximar a investigação e inovação da clínica em Urologia
DATA
11/12/2018 09:59:10
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Jornal Médico
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Aproximar a investigação e inovação da clínica em Urologia

A Academia CUF organizou, no passado sábado, o 1.º Simpósio Português de Investigação e Inovações em Urologia, que reuniu perto de uma centena de médicos e investigadores de prestígio nacional e internacional na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa.

Fazer a ponte entre investigação básica e clínica em Urologia e promover a inovação nesta área foram os principais objetivos deste Simpósio, que contou com o apoio científico do Instituto de Oncologia CUF e da Associação Portuguesa de Urologia (APU).

“À partida, podemos achar que em Portugal não existe muita investigação básica ou inovação em Urologia, mas a verdade é que até somos muitos… e bons!”, avançou, em declarações ao Jornal Médico, o urologista e chairman do evento, Estevão Lima, destacando que “não só existe investigação básica de excelente qualidade na área do aparelho urinário – muita da qual publicada nas melhores revistas internacionais –, como também temos em Portugal muita investigação de translação”.

De acordo com o responsável nacional pela Urologia da Rede CUF, a inovação – enquanto criação de valor e de disrupção – é outra das vertentes que importa fomentar. Como tal, no 1.º Simpósio Português de Investigação e Inovações em Urologia, estiveram em destaque três start ups portuguesas, responsáveis pelo desenvolvimento de soluções inovadoras na área da Urologia: a HydruStent, a UroMonitor e a BestHealth4U.

Estevão Lima congratula-se com o facto de muita desta investigação de vanguarda estar inserida na rede CUF. Segundo o especialista, “o universo CUF tem tido, não só, a capacidade de contratar os melhores recursos humanos, como de estar atento às tendências futuras em termos de avanços tecnológicos. Tendências essas que não devemos temer e às quais não podemos virar costas”.

Na cerimónia de abertura desta reunião voltada para o futuro, os membros da Comissão Executiva da José de Mello Saúde (JMS), Catarina Gouveia e Rui Diniz, descreveram o 1.º Simpósio Português de Investigação e Inovações em Urologia como uma “inequívoca demonstração do DNA da CUF e da JMS, bem como da força da rede CUF de Norte a Sul do País”, no âmbito mais concreto desta especialidade médica e cirúrgica. “Não podemos ser bons prestadores em Saúde, sem uma aposta forte nas vertentes de investigação e inovação”, sublinhou Catarina Gouveia, congratulando-se ainda com o facto deste evento ter permitido uma articulação estreita e efetiva entre profissionais de vários campos de atividade e oriundos das mais diversas instituições de saúde (públicas e privadas). Por sua vez, Rui Diniz, instigou os profissionais no terreno a fazerem chegar as suas ideias à administração da JMS. “Vocês são quem tem a matéria prima e o conhecimento para nos desafiarem nesse sentido”, disse, deixando claro o seu interesse em acolher “o desafio da inovação”.

Também o presidente da APU, Luís Abranches Monteiro, usou da palavra para expressar o seu orgulho na “nova geração de urologistas portugueses, composta por uma massa crítica de investigadores”. De acordo com o responsável, na Urologia atual, “é impossível ter a clínica desligada da ciência básica”.

2.º Simpósio já tem data marcada

Foram vários os temas em destaque no 1.º Simpósio Português de Investigação e Inovações em Urologia, todos eles “relevantes e disruptivos”, na ótica de Estevão Lima.

“Falámos sobre uma descoberta feita a nível nacional, que diz respeito à etiologia da hiperplasia benigna da próstata; abordámos questões pertinentes como o papel da genética e epigenética na Uro-Oncologia; analisámos a questão dos biomarcadores e de métodos inovadores como a biópsia líquida ou a imunoterapia; terminámos com abordagens diagnósticas e terapêuticas inovadores, onde se destacam os biomateriais, a nanotecnologia e a PET Scan, a robótica, a análise computacional e a inteligência artificial”, resumiu o médico e organizador do simpósio.

Dado o sucesso alcançado com esta primeira edição, Estevão Lima anunciou a continuidade do evento, cuja 2.ª edição tem já data marcada: 9 de novembro de 2019. O objetivo, explicou, é “voltar a reunir os grupos de investigação e juntar médicos, investigadores, biólogos, engenheiros, bioquímicos, entre outros profissionais”, em torno destes e de outros temas inovadores aplicados à Urologia, tais como novas tendências e tecnologias em investigação sobre células estaminais, sistemas de navegação e diagnóstico automático por inteligência artificial. “Queremos ainda enquadrar todas estas temáticas na sua dimensão ética, procurando discutir a aplicação destas novas tecnologias desse ponto de vista”, ressalvou o responsável.

No 2.º Simpósio Português de Investigação e Inovações em Urologia está ainda prevista a realização de um Innovartion Bootcamp, “onde se pretende ajudar os investigadores com ideias inovadoras a desenvolver essas mesmas ideias em negócios, ou seja, a conseguirem dar o salto para o mercado”, concluiu o médico.

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
Relatório Primavera: verdades e consequências

“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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