Rui Nunes: “Hospital de São João tem 60 camas desocupadas que podem acolher Pediatria antes do Natal”
DATA
20/12/2018 15:52:53
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS




Rui Nunes: “Hospital de São João tem 60 camas desocupadas que podem acolher Pediatria antes do Natal”

O presidente da Associação Portuguesa de Bioética (APB), Rui Nunes, sabe que “o Centro Hospitalar e Universitário de São João (CHUSJ) tem atualmente no edifício central cerca de 60 camas que se encontram encerradas” e a Pediatra tem uma notação de 48 camas, contudo oito delas estão encerradas.

Perante este panorama, Rui Nunes considera que “nada justifica que se sujeite as crianças e famílias a passar mais uma noite nos contentores, em instalações impessoais, e pouco dignificantes”.

O médico desafia, assim, a unidade hospitalar e a ministra da Saúde, Marta Temido, a tomar providências para que o Serviço de Pediatria do CHUSJ seja transferido para o edifício central daquela unidade antes do Natal.

“A senhora ministra visitou recentemente o hospital e a pediatria, esteve reunida com a administração. Quero acreditar que lhe foi transmitido que existem no CHUSJ camas em número suficiente para evitar que as crianças internadas no Joãozinho tenham de passar mais um Natal em contentores”, disse Rui Nunes.

“É lamentável que se continue a sujeitar as crianças a este tipo de internamento, mais ainda nesta época do ano”, acrescenta o especialista, questionando: “Que Natal terão estas crianças, as suas famílias e os próprios profissionais de saúde que diariamente dão o melhor de si em contentores”.

Rui Nunes acredita que o melhor presente que a ministra da Saúde pode dar às crianças internadas, bem como às respetivas famílias e trabalhadores do serviço de Pediatria, é precisamente transferi-las para o edifício central do hospital.

"É importante que sejam criadas condições para que todos os que diariamente trabalham ou estão internados no Joãozinho o façam nas melhores condições", salienta.

Segundo o presidente da APB, esta sugestão “não carece de recursos que não estejam à disposição do hospital e permitiria aliviar o sofrimento dos doentes, das suas famílias e dos próprios profissionais de saúde que, com tanto empenho, se dedicam a estas crianças”.

“As camas estão lá. Os profissionais de saúde e demais trabalhadores também. Que mais é preciso”, lembra o médico portuense.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

Mais lidas