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IPO de Lisboa gasta um milhão de euros por semana em medicamentos
DATA
26/12/2018 10:21:23
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IPO de Lisboa gasta um milhão de euros por semana em medicamentos

O IPO de Lisboa gasta cerca de um milhão de euros por semana em medicamentos, revelou o presidente daquele instituto, João Oliveira, defendendo a implementação de regras que visem combater esta tendência.

Segundo João Oliveira, o IPO de Lisboa gastou 37 milhões de euros em medicamentos em 2016 e cerca de 40 milhões de euros em 2017. Este ano, o valor aproxima-se dos 50 milhões euros, o que representa um gasto de cerca de um milhão de euros por semana em medicamentos.

“A despesa com os medicamentos tem crescido muito depressa, e não é só no instituto de oncologia, mas na oncologia particularmente, e tem sido muito difícil uma previsão feita agora é muitas vezes falseada nos meses que se seguem de uma maneira completamente imprevisível”, disse o médico oncologista, em entrevista à agência Lusa, a propósito dos 95 anos do IPO de Lisboa, que se assinalam já no próximo sábado.

João Oliveira advertiu que esta tendência vai continuar “se não houver possibilidade, tanto a nível nacional como a nível interestadual na Europa, de criar algumas regras à forma como o preço dos novos medicamentos vem aumentando, nem sempre em correspondência com a valia que eles têm”.

“Existe uma noção que não tem sido contrariada de que tudo o que é novo é forçosamente muito bom e, portanto, merece ser muito caro, mas não é verdade”, frisou.

Questionado sobre se existe ou não pressão por parte da indústria a da própria sociedade para os hospitais adquirirem medicamentos inovadores, o administrador afirmou: “Claro que há pressão”.

“Há pressão” porque as pessoas dão “muito valor aos medicamentos e, por isso, é muito fácil que se crie uma opinião de que, ao considerar que determinado medicamento não é tão bom como as expectativas o davam, se está a ter uma atitude ‘financeirista’, mas não é o caso, é mesmo uma questão de distinguir as pressões de caráter comercial das pressões de caráter médico e isso não é sempre fácil”, sublinhou o especialista.

Para o presidente do IPO de Lisboa, é preciso separar o que “é imperativo usar porque vai de facto mudar a vida das pessoas” do que está “a ser promovido de uma maneira puramente comercial”.

“Mas essa é uma distinção que precisa de know-how médico e de outras profissões e que tem que ser consignada e reconhecida” e que “não se resolve a nível de uma instituição única”, afirmou João Oliveira, defendendo que terá de ser o Serviço Nacional de Saúde (SNS), com a escala e a dimensão que tem e com a sua capacidade de avaliação, “distinguir o essencial do acessório”.

“É preciso ter uma grande capacidade e uma capacidade que tem que ser sistémica do SNS para perceber onde é que se gasta bem o dinheiro, e isso acho que temos a nível nacional algum caminho por fazer”, bem como "uma capacidade grande para distinguir o acessório do essencial e vontade para contrariar algumas expectativas comerciais que sendo justas contribuem para desequilibrar", concluiu.

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
Relatório Primavera: verdades e consequências

“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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