Estudo: Morte de neurónios pode ser benéfica na doença de Alzheimer
DATA
27/12/2018 10:36:25
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Jornal Médico
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Estudo: Morte de neurónios pode ser benéfica na doença de Alzheimer

Investigadores do Centro Champalimaud concluíram que a morte de neurónios na doença de Alzheimer pode ser benéfica, ao contrário do que se pensava, ao eliminar dos circuitos cerebrais neurónios disfuncionais. 

Nesta investigação, as moscas-da-fruta foram geneticamente modificadas para reproduzir os sintomas da doença de Alzheimer humana, neste caso expressarem no seu cérebro a proteína beta-amiloide que forma placas no cérebro dos doentes.

De acordo com uma das investigadoras, Christa Rhiner, citada num comunicado da Fundação Champalimaud, a moscas transgénicas apresentavam "perda de memória de longo prazo, um envelhecimento acelerado do cérebro e problemas de coordenação motora, que pioravam com a idade".

Quando a primeira autora do estudo, Dina Coelho, bloqueou a morte de neurónios no cérebro das moscas, estas "desenvolveram problemas de memória e coordenação motora ainda piores, morreram mais cedo e o seu cérebro deteriorou-se mais depressa".

Em contrapartida, quando acelerou a morte dos neurónios, em que os mais aptos desencadeavam o suicídio dos menos aptos, isto é, mais disfuncionais, as moscas que expressavam a proteína beta-amiloide associada à doença de Alzheimer recuperaram.

"As moscas comportavam-se quase como moscas normais no que diz respeito à formação de memórias, ao comportamento locomotor e à aprendizagem", sustenta Christa Rhiner no mesmo comunicado, que salienta que a recuperação ocorreu quando os insetos já estavam muito afetados pela doença de alzheimer.

Assim sendo, o estudo sugere que a morte de neurónios "é benéfica porque remove dos circuitos cerebrais os neurónios afetados por agregados tóxicos de beta-amiloide, e que manter esses neurónios disfuncionais é pior do que perdê-los", defende o investigador Eduardo Moreno.

Para os autores do estudo, os resultados poderão ter implicações no tratamento da doença de alzheimer, uma vez que, de acordo com Eduardo Moreno, "algumas substâncias experimentais" que bloqueiam substâncias inibidoras da morte celular, acelerando a morte de neurónios, "existem e estão a ser testadas".

O estudo, que deverá agora ser validado em pessoas com Alzheimer, foi publicado esta quarta-feira na revista científica Cell Reports.

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