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Bastonário quer parecer da OM sobre canábis para uso recreativo
DATA
11/01/2019 15:57:47
AUTOR
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Bastonário quer parecer da OM sobre canábis para uso recreativo

O bastonário dos médicos, Miguel Guimarães, quer que a Ordem dos Médicos tome uma posição sobre o uso de canábis para fins recreativos, lembrando o impacto que uma eventual legalização pode ter na saúde das pessoas.

Em declarações à agência Lusa, a propósito dos dois projetos de lei que vão ser debatidos na próxima semana no parlamento, Miguel Guimarães indica que não foi pedido qualquer parecer à OM sobre a utilização da canábis para fins recreativos.

O bastonário admite que se trata de uma questão “mais política” do que a canábis para fins terapêuticos, mas entende que pode também ser “uma questão médica”, no sentido em que o consumo de canábis para uso recreativo pode ter “efeitos laterais potenciais que não são de desprezar”.

Para Miguel Guimarães, a legalização da canábis para fins recreativos “não será uma boa decisão”, contudo, defende que seja emitida “opinião técnica” por parte da OM acerca deste assunto.

“Vou pedir que seja tomada uma opinião técnica, baseada no que é a evidência do uso da canábis de forma recreativa”, referiu.

Recorde-se que já no ano passado, aquando da discussão sobre a canábis para fins terapêuticos, a OM alertou para o facto de existir “forte evidência da eficácia” da canábis nalguns usos, defendendo que sua prescrição devia ser exclusivamente médica, enquanto medicamento e não na forma fumada.

Na altura, o parecer da OM avisa que, pela sua potencial toxicidade, a prescrição devia ser feita apenas pelos médicos e com regulamentação específica, tal como acontece, por exemplo, com os derivados de morfina.

Nesse mesmo parecer, os especialistas pediam que não fossem negligenciados os potenciais riscos de saúde pública, “incluindo o abuso na sua utilização como droga recreativa”.

Sobre a segurança do uso da canábis, o parecer apontava para uma associação entre o seu consumo e o desenvolvimento de dependência, esquizofrenia e outras psicoses, bem como agravamento de dificuldade respiratória.

Recorde-se que na próxima quinta-feira, dia 17 de janeiro, a legalização da canábis para uso recreativo vai estar em debate no parlamento.

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Editorial
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