CHLN: Desvio nos heliportos não colocou vidas em risco
DATA
15/01/2019 17:21:30
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Jornal Médico
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CHLN: Desvio nos heliportos não colocou vidas em risco

O presidente da administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), Carlos Martins, assegura que não tem conhecimento de situações que tenham colocado os doentes em risco de vida ou com sequelas devido a desvios dos helicópteros do INEM por impedimento de aterrar no heliporto hospitalar à noite.

“Nós temos uma confiança enorme na atuação do INEM, que é quem faz a derivação e quem toma a decisão do ponto de destino do helitransporte de emergência, e, seguramente, em casos de maior risco, esses doentes têm sido encaminhados para outros hospitais que têm as infraestruturas operacionais”, disse Carlos Martins, à margem do evento “O dia do Infarmed”.

Carlos Martins afirmou que “não ter conhecimento de nenhuma situação de sequela ou situação de maior risco de vida em função de derivações para Figo Maduro”.

“Aliás, mau era se isso acontecesse”, frisou o responsável, adiantando que teve conhecimento da “primeira derivação em novembro”, e que, no dia 20 desse mês, o diretor do heliporto deu conta da situação e houve “uma informação informal da parte do INEM de que o heliporto estaria interditado”.

“De imediato, o diretor do heliporto fez um e-mail à ANAC [Autoridade Nacional da Aviação Civil] a perguntar se era verdade e, se sim, quais os motivos e não tivemos quaisquer respostas”, contou.

Segundo Carlos Martins, foram feitas “várias insistências” à ANAC com vista a clarificar a situação, tendo sido hoje reiterado um pedido urgente de esclarecimento.

Para o presidente do CHLC, esta é uma situação preocupante, uma vez que o hospital tem “uma infraestrutura que é importante para a manobra do helitransporte de emergência não só em termos da capital do país, mas de um conjunto de infraestruturas diferenciadas hospitalares”.

“É importante também pelo desconforto que causa nas nossas equipas que recebem doentes que não vêm diretamente para Santa Maria, mas que têm de derivar para Figo Maduro”, disse, esperando que a “situação seja ultrapassada com rapidez”, o que não depende do centro hospitalar.

Têm sido “feitos melhoramentos” no heliporto do hospital e foram nomeados um diretor e uma adjunta, cuja nomeação foi autorizada pela ANAC há um ano, acrescentou Carlos Martins.

“Temos um conjunto de obras que estão no nosso plano de investimento e que contemplam melhoramentos no heliporto, designadamente um melhor acesso de viaturas de combate e incêndio à plataforma, e temos feito aquilo que no nosso entendimento é necessário”, frisou.

Carlos Martins revelou ainda que a última inspeção foi realizada em 2016 e as recomendações feitas foram cumpridas, desconhecendo por isso os motivos da proibição dos voos noturnos.

“Se for necessária alguma medida excecional, iremos tomá-la com caráter de urgência, sendo que do ponto de vista da engenharia, da segurança e da gestão da infraestrutura não existe nenhum motivo para esta interdição”, vincou.

Questionado pelos jornalistas sobre se o heliporto do Hospital de Santa Maria está certificado para operações diurnas, noturnas ou se esse processo ainda decorre, Carlos Martins disse que “o processo de certificação está em curso”.

De acordo com a notícia avançada hoje pelo Jornal de Notícias, um terço dos heliportos hospitalares estão impedidos de receber voos noturnos de emergência médica por não cumprirem vários requisitos técnicos como, por exemplo, a ausência de sinalização luminosa de auxílio à aterragem.

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.